O festival de besteiras que assola as eleições deste ano em Goiás(3)
Atenção, leitoras e leitores: a data das eleições aproxima-se cada vez mais. Daqui até a data da votação, são apenas 10 dias. Com o assunto atraindo as atenções majoritárias da mídia e já mobilizando a população, multiplicam-se as visões enviesadas sobre o pleito e sobre os candidatos, sempre com a intenção maldosa de socorrer esse ou aquele. É o que este blog chama de “festival de besteiras”, qual seja a proliferação de informações irreais, análises sem fundamento e tentativas de apresentar como certo e irreversível o que simplesmente não tem qualquer relação com a verdade.
As “besteiras” mais recentes estão compiladas a seguir, extraídas das manchetes e teses correntes nas páginas dos jornais e sites de notícias, dos vídeos e postagens nas redes sociais. São pérolas e mais pérolas, desafiando a lógica mais banal, geralmente dentro do objetivo – notem – de derrubar a campanha com mais predominância e mais chances de vitória, inclusive em 1º turno, no caso a da reeleição do governador Daniel Vilela.
O Estado está “quebrado” e vai explodir logo após as eleições. Risível. Não existe o menor sinal de que o governo de Goiás enfrenta dificuldades financeiras, mesmo porque está amparado por uma poupança de mais ou menos R$ 10 bilhões, constituída como reserva durante os governos Caiado. Essa verdadeira fortuna, no entanto, continuará guardada para investimentos e emergências. A arrecadação mensal de R$ 2,5 bilhões é suficiente para os gastos correntes, inclusive como garantia de quitação em dia da folha de pessoal. Caiado deixou uma herança benigna em termos de ajuste fiscal, com a redução da dívida do Estado e completo equilíbrio entre receita e despesa, com a ajuda, quando necessário, do caixa oriundo da economia dos seus 2 mandatos. E tudo dentro das regras da Secretaria do Tesouro Nacional, sem calotes ou sobressaltos.
Quem for ao 2° turno com Daniel Vilela será o próximo governador de Goiás. Essa é de doer. Beneficiado por uma ampla aliança partidária, por uma base maciça nos municípios, pelo maior tempo de propaganda no rádio e televisão e pelo apoio incondicional do ex-governador Ronaldo Caiado, Daniel Vilela não só lidera as pesquisas com grande folga como ainda aumenta a sua vantagem em todas as simulações de 2º turno, seja qual for o adversário. Nas últimas pesquisas, alcança 67% dos votos válidos, se houver 2º turno, contra Marconi Perillo ou Wilder Morais. Em eleições para o governo do Estado, não há precedentes para viradas: 2º turno só confirma o 1º turno. E mais: por ora, ainda não saiu nenhuma pesquisa capaz de inequivocamente descartar a resolução das eleições em 1º turno em Goiás em proveito do atual governador. A hipótese continua viva.

O apoio de Caiado, com seus 88% de aprovação popular, não se reverteu em votos para Daniel Vilela. Falso. Caiado é o cabo eleitoral mais importante de Daniel, que, sim, também tem os seus predicados pessoais. O seu governo, nas pesquisas Quaest e Paraná, de alta credibilidade, recebeu avaliação positiva de até 75%. E governadores bem aprovados, sabe-se, não perdem a reeleição. Além disso, é impróprio esperar que, com os 88% de avaliação de Caiado, Daniel Vilela, seu candidato do peito, chegasse também a 88% dos votos. Isso não tem sentido. Aprovação é uma coisa, intenções de voto, outra, embora exista uma correlação política (e não matemática) entre esses quesitos e tanto que não à toa Daniel é o líder isolado em todas as pesquisas.
“Sou o único candidato da direita, os outros são todos de esquerda”. Maluquice. Wilder Morais repete essa bobagem diariamente. Na visão de mundo dele, se tem uma, até o ex-governador Ronaldo Caiado seria de esquerda. Marconi Perillo e Daniel Vilela, também. Wilder acredita na ideologização total das eleições em Goiás, mas as pesquisas atestam: isso não aconteceu e não vai acontecer. O principal fator de definição de voto em Goiás é a continuidade das gestões de Caiado, favorecendo Daniel Vilela. De resto, Daniel vence Wilder na preferência do eleitorado bolsonarista e de direita não-bolsonarista, conforme mostrado principalmente pela lupa das pesquisas Quaest.
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Daniel Vilela é o líder isolado porque investiu pesado em pesquisas, ou seja, “comprou” as pesquisas. Piada. Institutos de credibilidade, que dão Daniel Vilela em 1º lugar, em alguns momentos mais de 25 pontos à frente de Marconi Perillo e Wilder Morais, como o Quaest e o Paraná Pesquisas, além da Atlas/Intel e da Real Time Big Data, não vendem pesquisas. Nenhum deles foi jamais denunciado por fraudes nos seus levantamentos. Brigar com pesquisas, como se sabe, é o último e desesperado recurso das campanhas derrotadas. Pela linha média dos grandes institutos, a liderança de Daniel Vilela está isolada dos adversários, no 1º turno, e aumenta em 50% no 2º turno.
Em um 2º turno, todos os votos dos candidatos de oposição irão para o que for classificado e aí ele terá chances de vitória. Falso. Em eleições, mesmo polarizadas, votos de candidatos no 1º turno não se transferem automaticamente para um só, no 2º turno. Isso em qualquer eleição, em qualquer parte do país. As simulações de 2º turno em Goiás sugerem, por exemplo, que a maioria dos votos ou de Marconi Perillo ou de Wilder Morais irão para o governador Daniel Vilela e não para aquele que, dos 2, conseguir se classificar. A previsão é similar para os votos de Luis Cesar Bueno (com maior tendência ainda para Daniel). Votos do 1º turno, historicamente, acabam se distribuindo no 2º turno, sempre, é claro, com preferência por um dos candidatos, mas jamais alcançando 100% de direcionamento.
A campanha de Daniel Vilela é grande por causa da pressão sobre funcionários e fornecedores. Lenda urbana. No mundo de hoje, qual candidato governista ousaria exigir gestos e atitudes dos servidores públicos e de quem tem negócios com o Estado? Seria suicídio político. Entre comissionados e fornecedores, o governo de Goiás deve chegar a 15 mil pessoas, no mínimo. Em qual evento de Daniel Vilela apareceu tanta gente? Em nenhum. Talvez nem um décimo disso. Como discurso de campanha, a oposição, no entanto, nunca abre mão de acusar um candidato da base governista de obrigar o funcionalismo a fazer campanha para ele. Mas quem denuncia o uso eleitoreiro de recursos públicos ou de comissionados, tem a obrigação de apresentar provas. Nenhuma reclamação, nesse sentido, chegou até hoje ao TRE-GO.
Se a eleição passar para o 2º turno, o candidato governista já está derrotado. Delírio. No Brasil, a tendência sempre foi repetir no 2º turno o resultado do 1º turno. E em Goiás, nem se fala. Em todas as eleições para governador com 2º turno, o vencedor foi um só. E nas grandes cidades, para prefeito, igualmente. Exceção: a eleição de Sandro Mabel em Goiânia, em 2024, depois de perder o 1º turno para Fred Rodrigues, mas aí a explicação faz a diferença: a virada foi obra do poder de influência do então governador Ronaldo Caiado a favor de Mabel (enfrentando, aliás, a ingerência do ex-presidente Jair Bolsonaro pessoalmente). O mesmo poder, neste ano, está a serviço da reeleição de Daniel Vilela.
Nenhuma pesquisa apontou para a possibilidade de vitória de Daniel Vilela no 1º turno. Falso. Um jornalista gravou um vídeo para o Tik Tok com essa “informação” absolutamente conflitante com a realidade. O que vem ocorrendo, há meses, é exatamente o contrário: todas as pesquisas de credibilidade, desde sempre, admitem numericamente a hipótese de liquidação da fatura em 1º turno, a partir da soma dos votos válidos de Daniel Vilela – 50% mais um, em alguns casos chegando a 56%. As chances de se resolver a eleição já no dia 4 de outubro, portanto, é algo a ser levado a sério. Ainda mais com a consistência e robustez da campanha da base governista e a presença do ex-governador Ronaldo Caiado em Goiás, na reta final, para enfatizar o seu apoio à reeleição de Daniel Vilela.
Não termina aqui. Voltaremos com mais “besteiras” sobre as eleições em Goiás, mesmo porque é um veio que parece não ter fim.