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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 set

Debates expõem Wilder como “serial killer” da Língua Portuguesa

 

Mais um debate entre os candidatos a governador de Goiás, dessa vez promovido pela CBN/O Popular, no indigesto período da manhã de quinta, 24 de setembro, e mais uma vez se comprovou que essa iniciativa não acrescenta nada, não tem capacidade para influenciar o eleitorado e se configura mesmo em um modelo de evento destinado à extinção nas eleições, não só estaduais, como também a disputa pela presidência. Sim, leitoras e leitores, no Brasil de hoje, o debate entre candidatos simplesmente… morreu.

Se funcionou um dia, agora não passa de lembrança nostálgica. Debates são cansativos, pouco atraentes, exigem uma concentração dos espectadores que não corresponde mais aos tempos modernos e, como sempre, muito engessados por regras rígidas na tentativa de se garantir a paridade de armas aos envolvidos. No entanto, quanto ao senador Wilder Morais (PL), representante do PL na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, pode-se concluir que, felizmente para ele, é assim. Se os debates tivessem importância, Wilder restaria aniquilado. Destruído. Sua performance é não só medíocre, como escandalosamente insuficiente em se tratando de alguém que tem a pretensão de governar Goiás e, aliás, já é senador da República. Nem parece real. Como cochicha em sua sabedoria o povo da roça, Wilder é “rudo”.

 

 

Candidato ao cargo mais importante do Estado, Wilder Morais carece de atributos positivos para esse mister. Sua oralidade é atroz (segundo o Jornal Opção, remete à voz de um velho bêbado). A postura corporal, uma visão desagradável. Tem o queixo erguido comum a milionários que se sentem superiores em relação ao resto da humanidade que não enriqueceu. Na CBN/O Popular, ele se empenhou para baixar o rosto e esconder essa péssima inclinação. Deve ter sido avisado porque foi nítido. Mas aí vem o mais grave de tudo: Wilder é incapaz de se expressar com clareza, inapto para concatenar palavras e expor uma situação qualquer. Regras do Português não existem para ele, porém isso seria aceitável se pelo menos fizesse se entender de alguma forma. Não o faz.

Sujeito e predicado sempre se esbofeteiam na linguagem de Wilder Morais. Singular e plural escondem-se lugares errados. R$ 10 milhões se transformam em R$ 10 “milhão”, como se referiu ao valor de uma das suas emendas sabe-se lá para quê. A chuva de erros gramaticais é tão copiosa que demandaria todo o espaço deste blog para uma compilação. Sem exagero, Wilder demonstra ser semialfabetizado. Se quiser prosseguir na política, sem envergonhar Goiás, o Estado cuja imagem já coloca em risco no Senado da República, ele precisa contratar urgente um orientador particular e tomar aulas básicas sobre o idioma pátrio. Um professor de 1º Grau já ajudaria.

A comparação é inevitável: Daniel Vilela, Marconi Perillo e Luis Cesar Bueno parecem luminares diante de um Wilder que enxovalha a boa comunicação a cada intervenção em um debate ou a cada resposta em uma sabatina. Pais que porventura assistam a esses programas, retirem os filhos da sala! Não é bom para a educação das crianças testemunhar um espetáculo infame como o do senador degradando o vernáculo e até mais, ou seja, pisoteando a lógica que deveria presidir o raciocínio de nada mais nada menos que um candidato a governador, o cargo mais decisivo em concorrência no pleito deste ano em Goiás. Wilder, em muitos momentos, soa incompreensível.

 

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No debate da CBN/Anhanguera, Daniel Vilela cutucou Wilder Morais afirmando que ele, autodeclarado trabalhador, faltou a mais de 60% das sessões do Senado e praticamente não subiu à tribuna em 10 anos de mandato. Dá para perceber o motivo. Pelo jeito, Wilder é incapaz até de ler um discurso escrito ou um texto qualquer. Seu marqueteiro, Marcelo Vitorino, já admitiu publicamente que falar não é a praia do candidato. Ora, se não falar, como transmitirá as suas ideias (se é que as tem)? Ocorre que, falando, Wilder piora as coisas. Não há como apreender o que ele diz. Por exemplo, ao fazer promessas para a área de Saúde, quando assegura que, no seu governo, se eleito, “ninguém vai sentir dor”. Provavelmente, quis formular a ideia de que implantará projetos de atendimento médico, caso se transforme em governador.

A história de Goiás jamais premiou a insipiência e a grosseria. E menos ainda a arrogância. Tudo isso encontra um resumo perfeito em Wilder Morais e só seria perdoável se houvesse um esforço pessoal, mesmo mínimo, para superar essas degradantes limitações. Ou se ele estivesse lá no seu canto cuidando da sua vida de empresário, sem ocupar a cadeira que já foi de personagens ilustres como Pedro Ludovico, Alfredo Nasser, Henrique Santillo e até de Iris Rezende (por que não? um homem de juízo simples, mas humilde e capacitado) e agora pretende outra, a da Praça Cívica, igualmente de tradição respeitável.  É certo que não há. Não se nota. O candidato a governador do PL encarna o pior tipo de ignorante, que é aquele que tem orgulho da própria ignorância.