Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 dez

Rombo que cairá no colo de Caiado supera R$ 4 bilhões de reais e vai transformar em pó o chamado “legado” do Tempo Novo, que será lembrado pelo descontrole financeiro e administrativo do Estado

O que Marconi Perillo e Zé Eliton viviam repetindo na última campanha eleitoral – a defesa do chamado “legado” do Tempo Novo, ou seja, das realizações dos últimos 20 anos de governo – vai ser convertido em uma herança maldita a partir de 1º de janeiro no colo de Ronaldo Caiado: um rombo financeiro que, por baixo, está estimado em R$ 4 bilhões de reais. O número foi apurado pela própria equipe caiadista de transição, com base em dados repassados extraoficialmente por técnicos da Secretaria da Fazenda.

 

Marconi e Zé imaginavam que seriam lembrados pela História como responsáveis por realizações como o Vapt Vupt, a Renda Cidadã, a Bolsa Universitária, o Cheque Moradia e outras novidades introduzidas nas duas décadas passadas no imaginário da sociedade goiana. Mas, não. O que vai saltar a vista será um dos maiores descalabros financeiros e administrativos poucas vezes vistos em outros Estados, comprometendo qualquer coisa que se tenha feito de positivo, a exemplo da Bolsa Universitária, que está atrasada há 9 meses e acumula uma dívida de R$ 60 milhões de reais, impagáveis no curto prazo.

 

Não será um governo que será entregue a Caiado, mas uma verdadeira bomba, que exigirá medidas duras e precisas na sua abordagem. Se Caiado errar, se vacilar  ou se, temendo um eventual surto de impopularidade, resolver adotar soluções paliativas, estará construindo um desastre ainda maior que, aí sim, será atribuído à sua responsabilidade, talvez até exonerando os verdadeiros culpados. É nesse sentido que o silêncio do novo governador, desde que foi eleito até hoje, preocupa e muito, ao denotar que ele pode ter um nível de consciência da situação muito abaixo do que seria a realidade do Estado – ou do horror que vai receber.