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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jan

Manter o Bolsa Universitária, com a promessa de pagar os atrasados neste ano, sem uma avaliação profunda e sem o transformar em programa desenvolvimentista e não social, é… incoerência

Dia e noite, os goianos escutam que o Estado está financeiramente esculhambado, depois de ser vandalizado pelos governos de Marconi Perillo e Zé Eliton. Nesta quarta-feira, 23 de janeiro, esse discurso foi repetido logo às 7 horas da manhã, na rádio Interativa, pelo governador Ronaldo Caiado. Certo, os números da contabilidade estadual são mesmo cruéis. A situação financeira de Goiás é grave. Não gravíssima, tanto que as portas do Regime de Recuperação Fiscal e sua cornucópia de vantagens foram fechadas ao Estado – que precisaria estar bem pior para ter acesso ao paraíso do RRF.

 

Pois bem, com tudo isso sendo proclamado aos quatro ventos por ele mesmo, Caiado, logo nos primeiros dias do seu mandato, anunciou que o programa Bolsa Universitária está mantido e que a dívida de mais de R$ 80 milhões com as faculdades e universidades particulares será quitada ainda neste ano. Uau… ouvimos corretamente? Ainda neste ano, mesmo com todas as dificuldades anunciadas pelo novo governador? Sim, é isso mesmo. Foi ele, Caiado, quem disse.

 

Mas, veja bem, leitora e leitor, eis aí uma decisão que não tem lógica nem coerência dentro da realidade financeira do Estado, a menos que os dados revelados pelo governador não sejam verdadeiros – e eles são. Caiado, se tiver defeitos, não tem a falta de seriedade e a ausência de responsabilidade na lista. Goiás está na lona, é fato. Só que isso não condiz com a manutenção do Bolsa Universitária e o pagamento da sua dívida monumental a curto prazo, o que só poderia acontecer se houvesse dinheiro sobrando.

 

De resto, trata-se de um programa que não pode continuar mais como “social”, apenas pelo seu aspecto de benefício distribuído a pessoas de baixa renda. Esse estágio já está superado. O BU precisa passar por uma avaliação, receber nova configuração e se transformar em programa de conhecimento, inovação e, em última análise, de desenvolvimento, através da formação de profissionais realmente demandados pelo processo de crescimento do Estado. Isso, hoje, está longe de acontecer. O BU deveria, inclusive, deixar de ser gerido por uma entidade assistencialista como a OVG e passar para, talvez, a Secretaria de Desenvolvimento ou para onde for deslocado o setor de Ciência & Tecnologia do governo. Seria coerente com a mudança prometida pelo novo governador.