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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 fev

Na pressa de prestigiar a primeira-dama Gracinha, presidente da OVG, Bolsa Universitária foi mantida sem qualquer avaliação, dando às faculdades e universidades particulares mais do que elas queriam

Não existe prova maior da surpreendente inexperiência administrativa e da ingenuidade do governador Ronaldo Caiado, em assuntos de gestão, do que a sua decisão de manter sem modificações o programa Bolsa Universitária, ainda por cima prometendo às faculdades e universidades particulares o pagamento ainda neste ano da dívida de R$ 80 milhões herdada dos governos anteriores.

 

Caiado agiu motivado pelo coração, digamos assim, na pressa de prestigiar a primeira-dama Gracinha, presidente da OVG, entidade que toca o Bolsa Universitária equivocadamente como um programa de assistência social, quando deveria ser formulado como uma estratégia de desenvolvimento econômico do Estado. Não tem sentido que milhões e milhões dos recursos gerados pela sociedade sejam dispendidos para formar profissionais em áreas não prioritárias para os goianos e, pior ainda, sem maiores contrapartidas. Isso é benemerência com dinheiro do povo, não política de governo comprometido com o futuro dos cidadãos. E deveria ter um ponto final.

 

Acontece que os proprietários das faculdades e universidades particulares, que podem ter recebido nos mais de 10 anos do Bolsa Universitária, entre R$ 1 bilhão e 1 bilhão e meio de reais, desde a criação do programa, são tão interessados na sua manutenção que estavam dispostos a aceitar um parcelamento dos repasses atrasados por até quatro anos. É possível que, sem o BU, muitas instituições particulares de ensino superior venham a fechar em Goiás. Há, inclusive, a suspeita de que elas inflam o valor das mensalidades, cobrando do governo um preço e do mercado, outro, bem menor.

 

Caiado se precipitou. Sem informações e sem uma auditoria mais do que necessária no programa, anunciou junto com Gracinha logo nos primeiros dias do seu mandato que o BU estava mantido(foto acima, com Jorge Bernardo, presidente do sindicato das faculdades e universidades particulares), com a quitação dos seus débitos ainda neste ano, apesar do estado de calamidade financeira oficializado em decreto e ignorando a disposição dos empresários do setor de aceitar um prazo maior para a quitação do passivo, tamanhas as vantagens que levam com o programa. Entre eles, houve comemoração. Não esperavam tanto.

 

Caiado ainda pode consertar o seu erro, que, mantido, vai impor um prejuízo de grandes proporções para Goiás.