Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 mar

Novo governo assumiu sem plano para a segurança pública e mesmo 2 meses depois de empossado continua sem ter um: Goiás, em janeiro e fevereiro, registrou 5 homicídios e 10 roubos a casas por dia

Pela segunda vez (a primeira foi no final de janeiro), o governador Ronaldo Caiado e o secretário de Segurança Rodnei Miranda reuniram a imprensa e convidados para “comemorar” uma suposta redução nos índices de criminalidade em Goiás, com base em números que, de antemão, não são confiáveis pois resultam de estatísticas controladas pela própria polícia sem nenhuma auditagem independente e, de resto, mostram que a violência entre os goianos continua exageradamente alta: de 1º de janeiro até hoje, foram cinco homicídios por dia e 10 roubos a residências por dia(acima, manchete de O Popular neste sábado de carnaval), sem falar de outros indicadores igualmente graves – por exemplo, o número de tentativas de assassinato foi igual ao dos casos consumados.

 

Isso confirma que o novo governo assumiu sem um plano de segurança e está atuando na área na base do improviso, dando sequência ao pouco que vinha sendo feito pelas gestões passadas e que, como se sabe, não funcionava, colocando Goiás no topo do ranking nacional de violência, conforme a apuração de instituições não governamentais, como o Ipea e o seu Atlas da Violência, de credibilidade incontestável. Porém, não é preciso ser especialista em assuntos policiais para constatar que nada de inovador foi feito, até agora, nem muito menos proposto pela gestão iniciante.

 

No evento realizado por Caiado e por Rodnei Miranda sobre o hipotético avanço que enxergam nas segurança, os dois falaram em levar Goiás para índices zero de ocorrências criminais. Olhem só, leitora e leitor: índice zero quer dizer nenhum homicídio nenhum roubo nenhum ato de violência. É fantasia ou ilusão que não faz bem a governantes cultivarem. Beira até a irresponsabilidade, já que é um discurso vazio, com palavras de efeito que visam a substituir ações concretas que possam, sim, melhorar a proteção da população. O secretário Rodnei Miranda sabe disso, pois já atuou como secretário de Segurança em Pernambuco, onde deu início às ações do Pacto pela Vida, programa que nos seus momentos iniciais levou a uma drástica redução dos homicídios naquele Estado. Redução, não eliminação.

 

É de algo parecido ao Pacto pela Vida pernambucano que Goiás precisa. Tocar o barco, apenas, nas atividades policiais, sem um planejamento consistente e sem atitudes transformadoras quanto ao aparato de segurança, não levará a qualquer lugar, muito menos ao cumprimento da promessa de Caiado – fundamental para convencer os goianos a votar maciçamente no seu nome – de que no seu governo o Estado reencontraria a paz social.