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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 abr

PSDB goiano é uma casa em ruínas, empurrada para a periferia. Mesmo assim, há uma disputa pela sua presidência. O segredo? Um cofre cheio de ouro enterrado no quintal

O último pleito transformou o PSDB goiano em pó. O partido, depois da fragorosa derrota nas urnas, quando seus ícones Marconi Perillo e Zé Eliton tomaram uma surra e apenas seis deputados estaduais e um federal conseguiram se eleger, assemelha-se a uma casa velha, em escombros, empurrada para a periferia. Não deveria valer grande coisa, mas, mesmo com as paredes e o telhado ameaçando desabar de vez, há ainda quem se interesse. Dois prefeitos – Jânio Darrot, de Trindade, e Carlão da Fox, de Goianira – estão engalfinhados em uma disputa pela presidência do PSDB estadual.

 

O que justifica essa briga, que envolve forças outrora poderosas, como, por exemplo, o ex-governador Marconi Perillo, que manobra nos bastidores para que o seu candidato do peito, Jânio Darrot, seja entronizado? A resposta, leitor, está no cofre de ouro enterrado no quintal do partido. Trata-se da cota do bilionário fundo partidário, que rende ao diretório de Goiás em torno de R$ 300 mil mensais. E eventualmente mais dinheiro pode vir do diretório nacional. Em tempos de vacas magras, com os tucanos completamente alijados do poder depois da vitória de Ronaldo Caiado, trata-se de uma pequena fortuna.

 

E que pode ser gasta quase que à vontade. Exige-se prestação de contas para a Justiça Eleitoral, mas os critérios são frouxos. Quem ganhar o comando do partido poderá contratar secretárias, assessores, advogados, pagar publicidade, viagens, carros, combustível, alugar aviões, telefones celulares, restaurantes e mais uma infinidade de despesas que no final das contas serão convenientes para a sobrevivência dos líderes tucanos no Estado, em especial Marconi. É por isso que Jânio Darrot, um empresário riquíssimo, que ainda detém a relativamente bem situada prefeitura de Trindade, foi escolhido para presidir o partido. Ele será o eleito, realizando-se, mais uma vez, a vontade soberana de Marconi. Jânio não precisa da estrutura do partido, nem pessoalmente nem para fazer política e por isso é o nome ideal para administrar a valiosa caixa forte partidária. Será apenas um preposto de confiança, com a missão de facilitar as demandas do ex-governador.