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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 jun

Única saída de Marconi para se defender da rejeição das contas de 2018 é jogar a culpa em Zé Eliton e alegar que a responsabilidade não é sua, por ter ficado apenas 3 meses no governo. E é verdade

Tem todo sentido a estratégia de defesa do ex-governador Marconi Perillo, diante da rejeição das contas do governo do Estado referentes a 2018, que pode resultar na sua inelegibilidade por oito anos: segundo amigos próximos, ele vai alegar que esteve à frente da administração apenas pelos três meses iniciais do ano passado, ficando os nove meses restantes sob a batuta do governador-tampão Zé Eliton – encarregado portanto do fechamento contábil da gestão e das decisões que, agora, levaram o Tribunal de Contas do Estado a recomendar à Assembleia Legislativa, a quem compete a palavra final, a decretar em definitivo a reprovação do balanço de 2018..

 

Provavelmente, essa separação de corpos vai incomodar e possivelmente prejudicar as opções que Zé Eliton teria para tentar se livrar das punições que poderão advir da rejeição final das contas, a menos que se trate de uma manobra de redução de danos combinada entre ele e o tucano-mor de Goiás (tipo: “Um de nós dois vai para o sacrifício, o outro se salva”). É preciso admitir que  a responsabilidade de Marconi pelos desacertos apontados pelo veredito negativo do TCE é muito menor que a do seu sucessor. Não tem como não ser. Tanto, por exemplo, que a Lei de Responsabilidade Fiscal fala em quadrimestres, quando define obrigações a serem cumpridas pelos administradores públicos. A assinatura de Zé Eliton está presente nos três quadrimestres do exercício passado, no primeiro como coadjuvante, por ter governado por um mês, e nos dois últimos como ator principal.

 

É ele, o Zé, quem agora será chamado para, no final de tudo, pagar o pato, ou seja, carregar nas costas o fardo dos erros cometidos em 20 anos do Tempo Novo. Curiosamente, algo que sempre o deixou preocupado e, enfim, aconteceu.