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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 jun

Bolsonaro visita Goiás 2 vezes, uma para rezar com os irmãos evangélicos e outra para curtir o rio Araguaia. Ao Nordeste, só foi uma vez e levou um pacote de investimentos de R$ 4 bilhões

Veja a foto acima, leitor. É o presidente Jair Bolsonaro pilotando um potente jet ski do Corpo de Bombeiros, nesta quarta-feira, no rio Araguaia. No banco traseiro, vai todo sorridente o governador Ronaldo Caiado – tido como o representante de Estado que mais teria prestígio pessoal com o capitão. Eles participaram de um programa de puro marketing, intitulado Juntos pelo Araguaia, que tem a intenção de recuperar áreas degradas em trechos ribeirinhos, mas, para isso, não conta com nenhum centavo além de R$ 100 mil reais disponibilizados pelo Ibama para a elaboração futura de um plano.

 

É a segunda viagem de Bolsonaro a Goiás, que há 15 dias também esteve aqui para rezar com seus irmãos em um grande culto evangélico e fazer média com caminhoneiros em um posto da rodovia Goiânia-Brasília. Seria uma demonstração de prestígio do Estado, do governador ou dos goianos, de um modo geral, se o presidente tivesse aparecido para anunciar recursos ou algum benefício e não com as mãos vazias e um palavreado inútil na boca. Apoio real ele reservou para os Estados da região Nordeste, que ele visitou há pouco levando um pacote de investimentos de R$ 4 bilhões de reais, dinheiro que já foi incorporado ao Fundo Constitucional que beneficia os Estados locais.

 

Goiás nunca teve o olhar especial de qualquer presidente, com exceção, talvez, de José Sarney, que levou Iris Rezende para o Ministério da Agricultura e despejou verbas e vantagens espetaculares para os produtores goianos. Iris tinha e tem até hoje entrada com Sarney. Chegou-se a dizer que Caiado, com a sua força diante de Bolsonaro, traria uma redenção. Ele seria o governador com mais autoridade em Brasília e o mais respeitado pelo presidente. Seria, porque, se é, não há retorno nenhum para o Estado. Nem mesmo uma mãozinha para superar as dificuldades financeiras do governo, que Caiado implora desde que foi eleito, há nove meses, saiu até hoje, apesar dos sorrisos rasgados e dos abraços efusivos entre os dois a cada encontro.

 

A imagem de Caiado aboletado na garupa do jet ski pilotado com determinação por Bolsonaro é emblemática. Quem determina o rumo é o presidente, quem segue como um cordeirinho sem saber para onde vai é Caiado. É um tipo de subordinação que não faz o bem para os goianos.