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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 jun

Situação de Caiado na Assembleia é humilhante, expõe a sua articulação política como amadora e ainda o desnuda como um governador imprudente e sem noção dos limites do cargo

A Assembleia Legislativa continua impondo derrotas humilhantes ao governador Ronaldo Caiado, que, por sua vez, continua mostrando não ter noção dos limites do cargo que ocupa – expondo-se, por exemplo, em telefonemas humilhantes a deputados, durante processos de votação em plenário, tentando inutilmente influenciar em cima da hora resultados no final das contas negativos para ele e para o governo. Esse é um comportamento imprudente e absolutamente não recomendado a uma autoridade do porte de um Chefe de Estado, que deveria ter sempre em mente os condicionantes legais e éticos da sua função.

 

Caiado, um dos mais experientes políticos goianos em razão de ter passado a vida dentro do Congresso Nacional, participando ativamente de tudo o que aconteceu ali nos últimos 20 ou 30 anos, é pouco mais que uma criança quando amadoristicamente tentar encaminhar os interesses do Executivo na apreciação de projetos pelo Legislativo. Até agora, em seus seis meses de governo, só conseguiu ganhar em votações de matérias irrelevantes. De cara, perdeu feio a eleição para a presidência do Poder, depois de apresentar um candidato que sequer conseguiu chegar ao final, sendo obrigado a engolir um nome – Lissauer Vieira – que ele chegou a destratar durante uma conversa no Palácio das Esmeraldas, dando um gosto amargo, a partir daí, a todas as suas tratativas com o parlamento estadual.

 

Em seguida, assistiu sem reação a uma demorada polêmica sobre a existência ou não de uma base de apoio ao seu governo, entre os deputados, que ainda não se sabe se há ou não. Se houver, não tem a menor solidez, já que pseudoconstruída pelo seu secretário de governo Ernesto Roller com a distribuição a seco de cotas de R$ 30 mil em nomeações, mais indicações para diretorias e coordenadorias pela administração afora. Não adiantou. Na hora de decidir sobre a obrigatoriedade do pagamento das emendas orçamentárias, a Assembleia passou por cima do governador e resolveu como quis, a favor dos deputados, evidentemente. Nesta semana, mais um teste massacrante, ou seja, a deliberação sobre uma emenda constitucional que permitirá a Lissauer Vieira mais um mandato no comando do Legislativo, prolongando até o final da gestão de Caiado a vida útil de um presidente que lhe foi enfiado goela abaixo e ali permanece atravessado. O governador, é claro, perdeu por enorme diferença a votação.

 

A ausência de uma margem de segurança para viabilizar projetos no Legislativo é ruim para qualquer governante porque afeta a sua capacidade para encaminhar soluções para os desafios  da gestão. Prejudica, enfim, a chamada governabilidade, que é a estabilidade necessária para que o Executivo exerça as suas atribuições. Sem ela, o governo não anda a contento e a mensagem que é passada para a sociedade é de incompetência e ineficiência no exercício do poder. Sem sombra de dúvidas, caso de Caiado.