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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 set

Debate da rádio Sagres 730 foi o melhor até agora, mostrou Zé Eliton sem foco e sem estratégia, perdendo tempo ao polarizar com Weslei Garcia, e deu mais uma vez a Caiado a chance de sair incólume

Foi muito bom, em nível civilizado, sem exaltações, o debate promovido na manhã desta quarta-feira pela rádio Sagres 730. Bem conduzido pelo mediador Rubens Salomão, o confronto teve regras claras e não trouxe prejuízos a nenhum candidato, em termos de tempo e oportunidades para perguntas e respostas. Algumas conclusões:

 

Ronaldo Caiado, que lidera de forma esmagadora as pesquisas, foi pouco atacado e portanto passou incólume pelo debate. Ora, se ele é o candidato em situação mais privilegiada, é claro que deveria ser o alvo de todos os demais postulantes, mas isso não aconteceu. Ele aproveitou bem o encontro: fez perguntas e deu respostas falando da violência contra as mulheres, segmento que dá a ele um pouco menos de pontos que o seu índice geral nas pesquisas, e abordou também questões do setor cultural. Ou seja: trabalhou para ampliar o seu público.

 

Zé Eliton não tem foco nem estratégia, o que é grave para quem está há meses sem se mexer nas pesquisas. Acabou polarizando com Weslei Garcia, candidato irrelevante nesta eleição. Zé reclamou incessantemente de ser o alvo dos 4 demais participantes, fato que é natural e que deveria, sim, é ser aproveitado por ele para crescer nas discussões, chamando de alguma forma a atenção para si. Mas, não: ele foi massacrado com uma avalanche de críticas e acusações ao governo. Não adiantou nada a tentativa ingênua de se apresentar como vítima de um complô.

 

Weslei Garcia pode ser considerado como o debatedor mais chamativo, pela originalidade das suas colocações. Daniel Vilela foi neutro e teve a sua pior apresentação, até agora.

 

Os blogs e imprensa governistas dirão que Zé Eliton venceu o debate e que Caiado, em fez de propostas, só fez ataques. Não se confunda, leitor. Isso não aconteceu. Caiado, como sempre, foi muito propositivo e desfilou ileso em meio aos adversários, não se envolvendo em polêmicas. É evidente que está sendo bem preparado para se mostrar equilibrado e paciente. E ninguém venceu o debate: esse é um conceito do passado que não se aplica mais nos dias de hoje. São tantas as nuances envolvidas que, no máximo, o que se pode dizer é que em um ou outro momento alguém se saiu melhor. Só isso.