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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 set

Com complexo de grandeza, Marconi se recusa a disputar a eleição com Kajuru por achar que isso diminui o seu tamanho – e assim, ao não enfrentar o adversário, assiste à construção da sua derrota

Ninguém discute: o ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo é uma das maiores figuras políticas do Estado. Superou Iris Rezende e hoje estaria sozinho no pódio, não fosse a eleição de Ronaldo Caiado para o Senado, de onde saltou para uma forte projeção nacional e voltou a Goiás para se candidatar ao governo na condição de favorito para vencer, inclusive no 1º turno.

 

Marconi é muito. Mas, em política, ser muito não garante nada, quando se trata de disputar eleições. Líderes de alto calado também são derrotados nas urnas, às vezes até por desconhecidos. Um desses, em 1998, atropelou Iris Rezende, mas, pelo visto, não aprendeu com a sua própria vitória.

 

Está evidente, na atual campanha, que Marconi não se sente à vontade sendo obrigado a disputar o páreo senatorial com Jorge Kajuru. O tucano-chefe, em seu discurso, preocupa-se apenas em atacar e desconstruir Ronaldo Caiado, que é candidato a governador, não a senador. Caiado não é adversário de Marconi. Kajuru, que Marconi ignora do alto do seu pedestal, é que é. E perigosíssimo, tanto que na pesquisa Diagnóstico/Diário da Manhã desta terça-feira chegou ao empate técnico com o ex-governador, por uma diferença de menos de 2 pontos. Na espontânea, Kajuru assumiu o 1º lugar.

 

Está errada, e muito, a estratégia de Marconi. Kajuru, livre, leve e solto, está subindo nas pesquisas, em uma tendência de alta que pode se mostrar irreversível, ainda por cima puxando junto com ele Vanderlan Cardoso, o que já está afetando também Lúcia Vânia. A “virada” de que os tucanos tanto falam pode estar acontecendo, sim, mas na eleição para o Senado. Contra Marconi e Lúcia.