Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 set

Argumentos a favor de Zé Eliton são os mesmos que a campanha de Iris apresentou aos goianos em 1998 e se baseiam em experiência e obras. Mesmo assim os goianos preferiram o desconhecido Marconi

Todos os argumentos que a base governista vem usando para tentar convencer os goianos a votar em Zé Eliton repetem, literalmente, o que a campanha de Iris Rezende usou em 1998 – o voto deve ser dado a quem tem experiência e muitas obras realizadas e não a candidatos da oposição que nunca governaram e não têm o que mostrar.

 

Mesmo assim, em 1998, o jovem e desconhecido Marconi Perillo, que não tinha experiência nem obras para mostrar, foi o eleito, atropelando o espetacular currículo de Iris, que já tinha sido prefeito, governador e ministro, além de ser considerado, na época, um dos maiores “tocadores de obras” do país.

 

Na noite desta quinta, Marconi esteve em um evento em Padre Bernardo. Veja exatamente o que ele disse: “Nosso grupo não tem como ser comparado com nenhum outro. Aqui somos o grupo do compromisso com Goiás, das obras, dos serviços, que tem reconhecimento do povo. Zé Eliton conhece Goiás, conhece a máquina do Estado. Ele me ajudou a valorizar a polícia, a melhorar a educação, a saúde, a fazer o maior programa de obras do País, que é o Goiás na Frente. Não tem um canto em Goiás que não tenha obra nossa”. Na sequência, é lógico, o ex-governador pediu – exigiu definiria melhor – o voto de gratidão dos eleitores de Padre Bernardo (o substantivo gratidão foi usado inclusive no release distribuído pela assessoria de imprensa tucana).

 

Por esse raciocínio, Marconi deveria ter perdido a eleição de 1998 e jamais teria iniciado a vitoriosa carreira política que desenvolveu desde então. Ele ganhou sem nunca ter realizado uma única obra e sem nenhuma experiência administrativa, os mesmos “defeitos” que, hoje, 20 anos depois, acusa nos adversários Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.

 

Também por esse raciocínio, Goiás, para sempre, deve ser governado pelo grupo político de Marconi.