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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 set

“Beija mão” é factoide forçado por Zé Eliton e Daniel Vilela, não corresponde ao que realmente foi dito no debate e, portanto, não tem potencial para tirar um décimo de ponto de Caiado

As campanhas de Zé Eliton e Daniel Vilela entraram em clima de histeria com dois fatos: um, a proximidade da data da eleição, que acontece daqui a apenas duas semanas, tempo curto demais para mudanças significativas nas posições dos candidatos e, dois, a referência que Ronaldo Caiado fez no debate de O Popular/rádio CBN sobre o fato de que Zé Eliton beijou a sua mão em agradecimento pela indicação à vice-governadoria de Marconi Perillo, em 2010.

 

Segundo Zé e Daniel, isso mostraria um suposto “espírito oligárquico” ou uma “vocação para coronel” da parte de Caiado, que, uma vez eleito, se instalaria no Palácio das Esmeraldas para que a sua mão fosse beijada.

 

É um exagero e uma distorção sem precedentes, porém compreensível no caso de candidatos que estão na rabeira, a uma distância muito grande do líder das pesquisas e, por isso, são obrigados a se agarrar a qualquer pedaço de pau para tentar escapar da correnteza.

 

Caiado usou uma figura de linguagem, que o professor Carlos André Nunes, em O Popular desta sexta-feira, apontou como sinônimo de agradecimento enfático. Só isso. Ele quis se referir – aí sim, é grave, pois implica em avaliação de conduta pessoal – à traição de Zé Éliton, que era leal a ele e depois o abandonou, ao se engajar no projeto político do ex-governador Marconi Perillo. Na visão de Caiado, o candidato tucano, que antes beijava sua mão em sinal de reconhecimento, no mínimo teria sido ingrato depois, para evitar o uso de palavras mais fortes.

 

Como arma para mudar uma tendência de eleição, o factoide de Zé e Daniel não tem a força necessária sonhada pelos dois.