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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 set

Derrotado, Zé Eliton vai repetir a saída de Naphtaly Alves e tentar se enfiar no Tribunal de Contas do Estado, mas dessa vez a história se repetirá como farsa e ele não passará na Assembleia

Amigos e áulicos do governador Zé Eliton já dizem em voz baixa que ele foi sacrificado com uma candidatura a governador que trouxe junto o fardo dos desgastes de 20 anos de poder e não tinha como dar certo. Por isso, mereceria uma atenção especial quanto ao seu futuro e para isso a melhor solução seria a sua nomeação para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

 

Essa fórmula foi adotada em 1998, quando Iris Rezende perdeu a eleição e o então governador Naphtaly Alves, que havia assumido o posto em substituição a Maguito Vilela (que se candidatou ao Senado e ganhou), mandou uma mensagem para a Assembleia Legislativa indicando o seu próprio nome para o TCE.

 

Mas agora, se a história se repetir, será provavelmente como farsa. Primeiro, porque não há vagas à vista no tribunal. Para que uma venha a ser aberta, algum dos conselheiros teria que se aposentar por motivos de saúde e isso seria submetido a intenso escrutínio público. Não há margem para isso aconteça, a não ser que se trate de um caso real, sem sombra de dúvidas médicas.

 

Depois, o balanço de forças na Assembleia Legislativa, onde a nomeação teria que ser aprovada, não favorece mais o governo. Muitos deputados mudaram de lado e passaram a apoiar Ronaldo Caiado. Outros, em grande número, estão tremendamente insatisfeitos com Zé Eliton, que cortou a prometida ajuda de campanha que seria dada aos que são candidatos à reeleição. Por último, haverá um governador eleito na praça e ele, no auge do seu poder, só teria que mexer os dedos para impedir a condução do seu antecessor ao TCE.

 

O futuro do Zé, portanto, não passa por uma confortável aposentadoria como conselheiro de contas. Mais fácil prever que ele voltará à sua banca de advocacia eleitoral.