Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 out

Advogados aconselharam Marconi a buscar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado para adquirir foro privilegiado no STJ e fugir do alcance da Operação Cash Delivery

O ex-governador e candidato ao Senado Marconi Perillo ouviu de um grupo de advogados criminalistas – top de linha em Goiás – que deveria, logo após a eleição, articular a sua nomeação para o Tribunal de Contas do Estado e, com isso, adquirir foro privilegiado (junto ao Superior Tribunal de Justiça) e ter uma alternativa para escapar às drásticas consequências que se avizinham com o indiciamento do seu nome na Operação Cash Delivery.

 

Marconi encontra-se em situação delicada: ao renunciar ao governo para disputar as eleições, perdeu o foro privilegiado e teve os seus processos devolvidos à 1º instância da Justiça Federal, de onde partiram, na sexta-feira passada, as autorizações para que as suas casas fossem vasculhadas e o seu ex-tesoureiro de campanha Jayme Rincón fosse preso. Há expectativa de que ele próprio, tão logo vença, dois dias após a data da eleição, o prazo em que candidatos não podem ser presos, seja alvo de uma medida restritiva de liberdade, já que os juízes que despacharam na Operação Cash Delivery declararam-se convencidos de que existe uma organização criminosa em ação e que Marconi é o seu líder.

 

A nomeação do ex-governador para o Tribunal de Contas do Estado não é uma manobra rápida e fácil. Ao contrário. Primeiro, é preciso que se abra uma vaga, com a aposentadoria de um dos atuais conselheiros. Depois, a indicação tem que passar pela Assembleia Legislativa. E, por último, caso Marconi seja preso na semana que vem, tornar-se-ia inviável dada a impossibilidade moral e ética de que alguém recolhido à cadeia seja conduzido para um lugar tão importante – o de fiscal das contas públicas.