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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 out

Erro maior da campanha tucana foi falar de passado e exigir o voto de gratidão por tudo o que foi feito nos últimos 20 anos. E nesse equívoco Zé e Marconi foram até o último dia, sem corrigir o rumo

Uma derrota eleitoral, ainda mais do tamanho da que os tucanos de Goiás vão colher neste domingo, não se constrói apenas com um ou alguns poucos erros. São preciso muitos – e nesse afã Marconi Perillo e Zé Eliton, os líderes maiores da chapa majoritária do PSDB, não economizaram e deram toda ajuda possível aos adversários.

 

Mas se há algo que contribuiu decisivamente para o massacre que as urnas trarão em menos de 24 horas não há dúvidas de que o equívoco maior foi o discurso central adotado pela campanha, voltado para o passado e centrado em exigir do eleitor goiano o voto de gratidão por tudo o que foi feito nos últimos 20 anos.

 

Marconi e os tucanos deveriam saber que essa estratégia não funcionaria, já que, em 1998, eles começaram uma trajetória vitoriosa de duas décadas vencendo Iris Rezende, o Marconi da época, com 16 anos de realizações e um Estado em condições espetaculares, com uma infraestrutura montada e até mesmo programas sociais que socorriam as famílias necessitadas de maneira adequada para a época. Iris fez o que Marconi e Zé fizeram agora: mostrou o que fez e cobrou a gratidão do eleitorado, que virou as costas e preferiu o seu jovem, desconhecido e inexperiente concorrente.

 

O PSDB goiano, outrora berço da inteligência política do Estado, refluiu à condição do primarismo político. Emburreceu. Não protagonizou um lance de criatividade ou ousadia nesta jornada eleitoral. Não mostrou sequer capacidade de reação diante das pesquisas negativas, preferindo brigar com elas (Raquel Teixeira chegou a dizer que fazer campanha era “combater as pesquisas”). Não formulou uma ideia consequente. Zé queria ganhar por ser governador. Marconi por ser Marconi. Nem um nem outro convenceram porque, na verdade, eram só simulacros.

 

Não mudaram nada durante a campanha e insistiram até o fim com uma estratégia sem sentido. O resultado não poderia ser outro.