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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 out

Rapidez com que Zé Eliton propôs abrir o governo para uma equipe de transição de Caiado desperta suspeitas de que está sendo montada uma armadilha para o futuro governo

A abertura do governo do Estado ao trabalho de uma equipe de transição indicada pelo governador eleito Ronaldo Caiado pode embutir uma armadilha, e perigosa, para a futura gestão estadual.

 

Foi surpreendente a rapidez de Zé Eliton: na mesma noite em que o TRE anunciou o resultado oficial da eleição, ele convocou uma entrevista coletiva e informou ter telefonado a Caiado, para os cumprimentos protocolares de praxe, e também para solicitar a ele o encaminhamento de uma equipe de transição, que seria bem recebida no intuito de levantar informações úteis fundamentar as ações iniciais do novo governo.

 

Aparentemente, um gesto de respeito aos valores republicanos e muita educação cívica. Mas… pode ser que nem tanto. Transições de uma administração para outra costumam ser complexas e envolvem aspectos delicados da guerra política. São usadas, por exemplo, como argumento de defesa quando os novos gestores, já empossados, se deparam com problemas graves  e até irregularidades, que eles, teoricamente, já teriam conhecido durante o rito de passagem. Qualquer acusação ou denúncia passariam, assim, a ser pura manipulação. Por isso, há casos em que governos que estão entrando se recusam a enviar equipes de transição, para evitar que depois venham a ser maliciosamente usadas na defesa da herança maldita deixada.

 

É recomendável que Caiado, do alto da sua notável experiência e, por que não?, sabedoria política, tome o máximo de cuidado com essa estória de “transição”. Com esse pessoal, escolado por 20 anos de poder, não se brinca.