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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 out

Mesmo derrotado como político mais rejeitado da história de Goiás, Marconi (e seus seguidores) não fazem autocrítica e insistem no discurso do passado, à espera de reconhecimento que não virá no futuro

Nunca um grande líder da política em Goiás recebeu um veredito tão duro das urnas, em qualquer época, quanto Marconi Perillo no último domingo, nem Iris Rezende, por exemplo, em 1998 – quando também perdeu, mas por pouco para o mesmo Marconi que hoje sai estraçalhado da eleição em que colheu uma derrota total, dele e dos seus aliados.

 

Agora, já começou um lenga-lenga condizente com o discurso de passado que os tucanos – sob a liderança de Marconi – desfraldaram durante a campanha: se o eleitor goiano não reconheceu o que o ex-governador fez em seus 20 anos de poder, o tal “legado”, a história haverá de fazê-lo.

 

À ingratidão dos goianos se anteporá o galardão que a posteridade conferirá a Marconi, esperam ele mesmo e seus aliados.

 

Mas é melhor colocar as barbas de molho. O julgamento da história, quase sempre, costuma ser muito pior que a avaliação da contemporaneidade. À distância, com frieza, os fatos acabam por ser dissecados com mais clareza e lucidez. Veja apenas essa amostra, leitor: o Vapt Vupt, de que os marconistas tanto se orgulham, será visto como o que é realmente, ou seja, uma cópia do Poupa Tempo, criado em São Paulo pelo então governador Mário Covas, esse, sim, um dos melhores administradores estaduais de todos os tempos, que deixou os pilares para a estabilidade financeira paulista, até hoje incontestável – enquanto Goiás, do ponto de vista fiscal, não passa de um caco, conforme o governo Ronaldo Caiado mostrará logo nos seus primeiros dias. E assim será com tudo o que foi feito nas últimas duas décadas, aliás com o dinheiro do povo e com os seus administradores recebendo salários régios.

 

Portanto, se as coisas estão ruins hoje para Marconi e seus devotos, amanhã poderão estar muito piores.