Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 out

Coincidências do destino: Hélio Telho, o procurador federal que conduz as investigações sobre propinas a Marconi e pediu sua prisão, é o mesmo do caso Caixego que arruinou Iris depois de 1998

Em uma coincidência do destino, o procurador federal Hélio Telho(foto), que conduz as investigações da Operação Cash Delivery, derivada da Lava Jato, sobre propinas pagas ao ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo, é o mesmo que em 1999 chefiou o inquérito que desbaratou o desvio de recursos da extinta Caixego para a campanha de Iris Rezende, tendo como ponto máximo a decretação da prisão no irmão de Iris, Otoniel Machado.

 

Juntamente com a derrota para Marconi nas eleições imediatamente anteriores, o caso Caixego jogou no chão a liderança de Iris, que, na eleição seguinte, seria derrotado para o Senado por Demóstenes Torres e Lúcia Vânia, e ajudou a tirar a credibilidade do PMDB, que a partir das apurações comandadas por Hélio Telho nunca mais venceu uma eleição majoritária em Goiás.

 

Hélio Telho não foi bem sucedido na tentativa de punir os responsáveis pelo Caso Caixego. Advogados de Iris e Otoniel conseguiram nos tribunais superiores a anulação do processo, a partir de uma jurisprudência de conveniência antes não existente, que se tornou basilar para as defesas de acusados de casos de corrupção: provas obtidas em uma esfera judicial não podem ser aproveitadas em outra. Ou seja: o caso Caixego começou na Justiça Federal, mas depois foi desclassificado para a Justiça Estadual, o que levou à sua extinção procedimental, sem a condenação de nenhum dos responsáveis.

 

Hoje muito mais experiente, o procurador federal Hélio Telho é considerado como uma sumidade em matéria de investigação de crimes de corrupção. É é ele quem está na cola de Marconi.