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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 out

Deixar Marconi comparecer ao interrogatório na Polícia Federal sem levar um habeas-corpus preventivo no bolso foi “barbeiragem” da defesa de Marconi, que custa uma fortuna

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay(foto), que atua na defesa do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo, é um dos mais caros do país. Para que se tenha uma ideia, ele representou os irmãos Friboi, Joesley e Wesley, quando também foram presos, e cobrou R$ 20 milhões de reais, mais R$ 80 milhões caso tivesse sucesso na libertação dos dois – o que não conseguiu a curto prazo, na época.

 

Por isso, imaginando-se que um preço tão elevado implicaria em qualidade profissional correspondente, nos meios jurídicos do Estado ninguém entendeu como ele permitiu que o seu cliente comparecesse a um depoimento na Polícia Federal sem levar no bolso um habeas-corpus preventivo – quando já se sabia que tanto o Ministério Público Federal quanto a Justiça Federal consideravam válidos, para a detenção de Marconi, os mesmos fundamentos que justificaram a prisão de Jayme Rincón.

 

Kakay provavelmente pecou por excesso de confiança. Achou que, como já tinha obtido dois mandados de libertação no Tribunal Federal Regional da 1º Região, a favor de Jayme Rincón e de um outro empresário detido na Operação Cash Delivery, emitidos por dois desembargadores diferentes, esses precedentes se imporiam e o Ministério Público Federal não solicitaria à Justiça Federal a medida preventiva contra o ex-governador. Não foi o que aconteceu.

 

Tipo extravagante, que mora em Paris, toca piano e gosta de vinhos caros, Kakay é de família com laços em Goiás, através do irmão Marcos de Almeida Castro, que foi presidente da Saneago no governo Henrique Santillo. Marconi nunca revelou quanto está pagando a ele.