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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 out

Nomeação de Raquel Teixeira como secretária extraordinária tem o objetivo de segurar a denúncia de que o resultado do IDEB foi manipulado e não corresponde à realidade da Educação em Goiás

Em um ato que não deixa de embutir um certo acinte diante do resultado das urnas, o governador Zé Eliton nomeou a sua companheira de chapa, Raquel Teixeira, como secretária extraordinária – saem dar qualquer explicação ou satisfação sobre as razões dessa decisão.

 

Mas, perguntaria o leitor, qual o motivo dessa esdrúxula nomeação? Seria para assegurar mais três meses de salário para Raquel (a pasta extraordinária atribui R$ 14 mil mensais ao seu titular)? Ou a intenção foi compensar a professora pelo sacrifício de disputar uma eleição que estava perdida desde o início e terminou coma derrota completa da chapa majoritária da coligação do PSDB?

 

Nada disso. O que está por trás da nomeação de Raquel Teixeira é a tentativa de preservar o resultado que Goiás obteve no IDEB, a avaliação do MEC que apontou a Educação goiana, ministrada pelo Estado, como a melhor do país. Esse resultado, cantado em prosa e verso na campanha tucana, foi manipulado e não corresponde ao ensino que é ministrado aos alunos da rede estadual. Para chegar a ele, a então secretária de Educação retirou os alunos do curso noturno do ensino médio e os escalou como estudantes do ensino supletivo, com o que foram excluídos da avaliação do IDEB (eles são os de menor rendimento e os que mais abandonam o curso, critérios que pesam no IDEB). Além disso, cartilhas com um resumo das principais questões das provas de avaliação foram distribuídas aos professores, obrigados a “treinar” os alunos na sua resolução.

 

Raquel Teixeira foi nomeada para ser colocada junto com a equipe de transição do governador eleito Ronaldo Caiado, se ele indicar uma (há quem, ao seu lado, acredite se tratar de uma armadilha, o aconselhando a não entrar nesse jogo), para tentar salvar um dos maiores embustes já praticados em Goiás. Com um linguajar técnico, em que é especialista, ela pode conseguir embrulhar os representantes da nova gestão e vender um peixe… estragado. O IDEB goiano é uma farsa.