Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 out

Derrota acachapante nas urnas e prisão: nunca um grande líder da política em Goiás passou por uma queda tão colossal como essa e é de se perguntar se Marconi conseguirá voltar algum dia para a política

Em mais ou menos 15 dias, o ex-governador Marconi Perillo saiu dos céus e desceu ao inferno. Líder nas pesquisas para o Senado, empatado tecnicamente com Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso, mas ainda à frente, Marconi foi colhido pelas ações policiais da Operação Cash Delivery – que investiga propinas pagas a ele pela Odebrecht – e acabou em 5º lugar nas urnas, sendo recolhido ao cárcere da Polícia Federal três dias depois.

 

Foi uma queda avassaladora. Algo que nunca se viu antes em Goiás e poucas vezes pelo Brasil afora. A reprovação dos goianos ao ex-governador, mesmo antes desses eventos, já estava evidenciada nas pesquisas, em que ele chegou, na reta final, a mais de 50% de citações quando a pergunta era: “Em quem você não votaria de jeito nenhum?”. Tudo isso significa que Marconi já não era mais o que foi um dia e que os seus erros e pecados haviam assumido uma proporção maior que os acertos e virtudes.

 

A agenda policial (para usar uma palavra presente em tudo o que o governador Zé Eliton fala) foi a gota d’água de uma situação que já estava se tornando insustentável: a apresentação e caracterização de Marconi como um líder acima de todos, que deve ser aceito sem nenhuma crítica, uma espécie de semideus, enfim – condição que foi para o ralo com as urnas e as grades.