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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 out

Quem quer rezar, reza em qualquer lugar, até dentro de sala trancada. Quem quer ser visto rezando, vai a igreja, tira foto e coloca no Instagram. Nem na desgraça Marconi abre mão do marketing

A ida do ex-governador e candidato derrotado Marconi Perillo à catedral de Goiânia, para rezar, depois de deixar a cadeia da Polícia Federal, é uma jogada de marketing. Marketing religioso.

 

Marconi deixou-se fotografar ajoelhado, confrangido, aparentando um grande sofrimento – o que a prisão, de fato, deve ter trazido para ele, como traria para qualquer um, mas muito mais para quem já foi um semideus. A imagem, de frente e de costas, apareceu minutos depois em um perfil no Instagram, o @sempremarconi, operado pela sua assessoria e criado quando a sua campanha começou a degringolar, com a ascensão de Jorge Kajuru e Vanderlan Cardoso mesmo antes das ações da Polícia Federal na Operação Cash Delivery.

 

Quem quer rezar, reza em silêncio em meio a uma multidão ou sozinho em qualquer lugar. Quem quer ser visto rezando, vai para a igreja, posa para a sua equipe de comunicação e publica a foto nas redes sociais. É esse amor pela propaganda a qualquer preço que ajudou a acabar com Marconi.