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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

14 out

Caiado não mostra pressa em indicar representantes para buscar informações no governo, enquanto cresce a desconfiança de que a transição oferecida por Zé Eliton é só uma armadilha

Como não nasceu ontem e tem uma longa estrada rodada na política, o governador eleito Ronaldo Caiado ainda não disse se vai aceitar a “oferta” do governador-tampão Zé Eliton e indicar representantes para participar de uma suposta” comissão de transição” junto com secretários do atual governo.

 

Há suspeitas de que tudo não passa de uma armadilha com o objetivo de criar álibis diante de futuras denúncias ou descobertas sobre problemas graves no interior da administração estadual. Por exemplo: é público e notório que a situação fiscal é a pior possível, já se refletindo em atraso no pagamento do pessoal (parte do funcionalismo ainda não recebeu o mês de setembro, nem mesmo os 40% prometidos para a semana passada). A dívida está com com parcelas vencidas e não quitadas. Programas sociais como a Bolsa Universitária e o Passe Livre Estudantil não recebem repasses há meses. Porém, o governo esconde tudo isso e vai ganhando dia por dia. Por que, gratuitamente, entregaria a verdade para um candidato de oposição que acaba de vencer as eleições e poderia desde já, com base neles, expor a quebradeira a que Marconi Perillo e Zé Eliton levaram o Estado?

 

Além disso, o modelo proposto por Zé Eliton para a “transição” é maroto. Vejam só: apenas dois secretários, Fernando Tibúrcio e José Carlos Siqueira (esse bem experimentado com os números das contas estaduais), representarão o governo junto a quem Caiado indicar, o que significa que será criado um gargalo para o fluxo das informações e, pior ainda, um lento ritual burocrático (também especialidade de Siqueira). Isso não é transição real. Seria se o governador informasse que o governo está aberto e que cabe a Caiado dizer o que precisa, como deseja essas informações e através de qual sistema de trabalho, autorizando a busca de dados junto ao secretariado em geral.

 

Fora daí é jogada.