Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 out

Amigos de Marconi e o próprio agora esperam que a História faça justiça a ele. Não se enganem: a posteridade costuma avaliar os fatos por um viés muito mais duro e negativo do que a contemporaneidade

Amigos fiéis (por enquanto) do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo estão em campanha nas mídias tentando defender o fundador do Tempo Novo com o argumento de que, depois da queda que as urnas e a Operação Cash Delivery trouxeram, caberá à História fazer justiça a Marconi, julgando-o e absolvendo-o.

 

Não se enganem: quando vistos em retrospectiva, lá na frente, os fatos de hoje costumam ser analisados por um crivo frio e bem mais rigoroso, piorando as avaliações do presente. Imagine, leitor, a título de exemplo radical, como os alemães enxergaram positivamente um governante que fez furor nos seus anos de fastígio, mas que logo após, acabou sendo enterrado pela História como um ditador cruel, assim que os detalhes dos seus anos de poder foram revelados pela marcha dos acontecimentos.

 

Há um exagero proposital nesse raciocínio. Mas a essência, a tese que dele emana, é válida. A História não vai mudar episódios como a Operação Cash Delivery ou a nomeação do cunhado Sérgio Cardoso para o Tribunal de Contas dos Municípios. Ao contrário, vai agravá-los, ao fazer uma conexão com o novo Brasil que emergiu das urnas e foi influenciado pela atuação anticorrupção da Operação Lava Jato (da qual a Cash Delivery é derivada).

 

Em plena era da informação, que corre acelerada pela internet, a História começa a ser escrita às vezes meia hora após a ocorrência dos fatos, que envelhecem com igual rapidez. O veredito final para Marconi virá da realidade, dos seus atos concretos e das consequências que geraram – não do mundo de fantasia em que vivem seus seguidores apaixonados e, por enquanto, leais.