Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 out

Em tentativa débil de defesa, Marconi publica artigo na Folha de S. Paulo deste domingo jurando inocência, mas passando longe dos fatos investigados pela Operação Cash Delivery

O ex-governador e candidato derrotado ao Senado Marconi Perillo publica um artigo neste domingo na Folha de S. Paulo em que jura ser inocente das acusações feitas a ele pela Operação Cash Delivery, investigação derivada da Operação Lava Jato que apura a distribuição de propinas da Odebrecht a políticos brasileiros.

 

Marconi usa a mesma desculpa de todos os que foram flagrados pela Lava Jato a partir do festival de delações premiadas de executivos envolvidos no pagamento das propinas: não há provas materiais, somente a palavra dos colaboradores e, portanto, não pode ser considerado culpado apenas com base nesse tipo de prova testemunhal.

 

O ex-governador tucano ignora que a Operação Cash Delivery não se baseou apenas nas confissões dos delatores, mas foi muito mais longe, inclusive contando com declarações do ex-presidente da Agetop Jayme Rincón de que realmente recebeu em seu apartamento em São Paulo as malas e mochilas de dinheiro vivo enviadas pela construtora – difícil é acreditar que Rincón fez isso por conta própria, acreditando candidamente, segundo disse, que os recursos seriam destinados aos candidatos proporcionais do PSDB e partidos aliados em Goiás.

 

Para azar de Marconi, a revista Veja desta semana traz reportagem informando que um dono de transportadora envolvido no repasse das propinas já deu quatro depoimentos à Polícia Federal fazendo novas revelações sobre o assunto, inclusive no capítulo que trata do caso goiano – esses depoimentos ainda estão mantidos em sigilo, mas significam que as coisas devem piorar para o tucano-chefe que é o alvo principal da Polícia Federal aqui no Estado.