Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 dez

Primeiros 2 nomes anunciados por Caiado nunca pisaram em Goiás e mostram que ele está montando a equipe com base em sugestões de colegas de Brasília e não pensando na realidade local

A longa vivência de décadas de Ronaldo Caiado no Congresso Nacional está sendo mais determinante para a montagem do seu secretariado que a realidade e o meio político e administrativo de Goiás.

 

Os dois primeiros nomes anunciados para a equipe do novo governo – o delegado aposentado da Polícia Federal Rodney Miranda, para a Secretaria de Segurança Pública, e o oceanógrafo Ricardo Soavinski, para a Saneago, o primeiro do Espírito Santo e o segundo do Paraná – evidenciam que Caiado buscou sugestões entre colegas de Brasília, ignorando completamente as injunções da política ou do meio acadêmico estaduais ou ainda os possíveis quadros disponíveis em Goiás. Nenhum dos dois são, digamos assim, autoridades reconhecidas nacionais nas áreas em que atuarão nem dispõem, pelas informações iniciais, de currículos excepcionais. Não eram conhecidos sequer de Caiado. E também nunca pisaram o chão goiano.

 

No entorno caiadista, sussurra-se que mais personalidades de fora virão para a gestão que se instalará em 1º de janeiro. Não há jogada mais arriscada. Governos estaduais costumam ter peculiaridades – políticas, culturais e regionais – que escapam da generalização, isto é, que não são meras reproduções de toda e qualquer administração e exigem conhecimento e atitudes específicas.

 

Esses 2 primeiros nomes decorrem de um fenômeno curioso: Caiado, em Goiás, não tem acesso a grandes quadros técnicos ou mesmo políticos, vez que a sua trajetória se fez através de crescente isolamento em Brasília, onde a sua carreira se desenvolveu e teve sucesso, em detrimento do aprofundamento nas características e nas minúcias que representariam um ganho no caso de uma convivência mais intensa com os segmentos da sociedade goiana. Em outras palavras, ele não conhece e não tem em quem confiar aqui no Estado para desempenhar as funções mais importantes do seu governo.