Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 dez

Falta de transparência – nas informações do Estado e do empresariado – é a marca da polêmica sobre os incentivos fiscais, que vão ganhar um corte no governo Caiado, mas ainda não se sabe de quanto

A polêmica sobre os incentivos fiscais que beneficiam cerca de 600 empresas instaladas em solo goiano tem uma característica marcante: a falta de transparência. Há obscuridade e confusão tanto nas informações prestadas pelo poder concedente, o Estado, quanto no que dizem em sua defesa as entidades representativas das fatias empresariado privilegiadas por essas isenções tributárias.

 

O que se sabe de certo é que, no governo de Ronaldo Caiado, haverá um corte nesses incentivos. Como e em que percentuais, ainda não se chegou a um consenso. Se dependesse exclusivamente da Adial ou da Fieg, que articulam as chamadas classes produtoras do Estado, seria um número próximo de zero – ou zero mesmo, como sempre conseguiram impor nas tentativas que os governos passados fizeram para reduzir esses benefícios. Porém, em uma reunião antes de viajar para Londres, Caiado deixou os empresários em pânico ao afirmar que deseja uma diminuição de 50%. O presidente da Adial, Otávinho Lage, chegou a dizer que saiu “atordoado” do encontro com o governador eleito.

 

Compete a Caiado colocar essa questão em pratos limpos para o conhecimento da sociedade, mostrando – depois que assumir, já que não tem acesso ao banco de dados da Secretaria da Fazenda, uma verdadeira caixa preta – quanto custam os incentivos fiscais para o Estado e qual a sua regularidade. Que, suspeita-se, é precária.