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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 dez

Calote do programa Goiás na Frente, de Marconi e Zé Eliton, deixa em dificuldades prefeitos que acreditaram nesse engodo e licitaram obras esperando receber os repasses que nunca virão

Lançado em meio a um festival de propaganda e prevendo em torno de R$ 9 bilhões de investimentos nas cidades goianas, o programa Goiás na Frente acabou se transformando no tormento da maioria dos prefeitos que acreditaram nesse que pode ser definido como o maior engodo eleitoreiro da história de Goiás.

 

Em novembro de 2017, o então vice-governador Zé Eliton apresentou pomposamente o projeto de orçamento para 2018, ano eleitoral, prevendo nada mais nada menos que a fábula de R$ 6.434.029.116,44 para o Goiás na Frente gastar na tentativa de viabilizar a sua natimorta candidatura ao governo. Eufóricos, áulicos palacianos chegaram a dizer aos jornais que o programa estava provocando insônia na oposição e debocharam de Ronaldo Caiado, que, segundo eles, estaria perdendo o sono com o que seria “o maior plano de investimentos regionais em curso no Brasil”, uma autêntica “agenda de cidadania”, nas palavras empoladas e megalomaníacas do próprio Zé.

 

Qual o quê…! 2018 veio e apenas R$ 130 milhões foram repassados aos municípios, com orientação aos prefeitos para que eles próprios licitassem os projetos do seu interesse – e muitos acreditaram e o fizeram, para, agora, com a extinção sumária do Goiás na Frente, se depararem com as obras paradas e dívidas a pagar. Prefeituras antes desfrutando de sólida situação financeira, repentinamente, entraram no vermelho e agora correm o risco de sequer conseguir quitar o 13º dos seus funcionários. Há poucos dias, um levantamento da AGM apontou 300 obras iniciadas e não concluídas, por conta do programa, com os empreiteiros pressionando para receber de qualquer maneira.

 

O pior de tudo: o Goiás na Frente não rendeu nada Marconi Perillo e Zé Eliton, vítimas de derrotas acachapantes nas urnas. Caiado, governador eleito, dorme o sono dos justos. O sacrifício dos prefeitos foi em vão, mas levou junto a credibilidade do governador findante e do ex, que ainda podem ser responsabilizados criminalmente. O Goiás na Frente, no fim de tudo, deu para trás.