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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 dez

Solução final para a questão dos incentivos sinalizará sobre a disposição de Caiado em cumprir o que prometeu na campanha, ou seja, uma mudança radical para corrigir os rumos do Estado

É bem mais séria do que se imagina a atual polêmica em torno da manutenção ou aplicação de algum redutor nos incentivos fiscais que privilegiam 600 empresas hoje em Goiás, que praticamente não contribuem com a receita estadual e têm esses benefícios esticados até a eternidade.

 

Estima-se que essa renúncia fiscal alcance no mínimo R$ 9 bilhões de reais por ano, mas o valor pode ser muito superior e ultrapassar o dobro. A falta de transparência domina o tema e nem a Secretaria da Fazenda nem os coletivos empresariais contribuem para estabelecer a verdade.

 

Caiado ganhou a eleição determinado a promover uma mudança radical para corrigir o descalabro administrativo em que o governo de Goiás foi atirado pelas políticas equivocadas do Tempo Novo de Marconi Perillo. O resultado é esse que está aí: o Estado não tem dinheiro sequer para honrar a sua folha de pessoal. A mudança foi aprovada maciçamente pelo eleitorado, que ainda por cima mostrou ter pressa, escolhendo o novo governador logo no 1º turno.

 

Não há, em nenhuma das outras pendências que estão na mão de Caiado, para solução, nada igual em valor e importância quanto os incentivos fiscais. Antes, o governador, entendendo o problema, mostrava-se disposto a aplicar um corte e chegou até a comunicar essa decisão às associações representativas dos empresários. Mas aí vieram as pressões e as ameaças, especialmente a superveniência de uma suposta onda de transferência de indústrias para fora de Goiás, caso haja alterações nos benefícios tributários. Um projeto de lei sobre o assunto que está na Assembleia, orientado diretamente pelo governador eleito, impondo cortes, será agora retirado, conforme ele próprio anunciou após se encontrar com líderes do setor industrial goiano. No lugar, uma nova proposta será apresentada.

 

É essa proposta que dirá se Caiado terá peito ou não para enfrentar – como prometeu aos goianos – os desarranjos e consertar o desastre em que o Estado de Goiás se transformou nas últimas duas décadas.