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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 dez

Auditoria na folha de pagamento: Caiado segue o script de todos os governos, que responsabilizam o funcionalismo pelas mazelas da administração. Mas, por esse caminho, o Estado não será ajustado

Nenhum governo, em qualquer parte do mundo, conseguiu promover um ajuste capaz de levar ao equilíbrio financeiro apenas promovendo cortes de despesas e principalmente através de medidas restritivas quanto ao funcionalismo público.

 

Claro, tudo isso faz parte dos planos de estabilização das gestões, principalmente as que se iniciam, mas passa longe do que verdadeiramente produz resultados, que é o aumento da arrecadação. Despesas públicas, em geral, são cristalizadas e só podem ser reduzidas em percentuais mínimos , já que a maioria dos gastos são obrigatórios e cresce política vegetativamente o tempo todo.

 

Porém, trata-se de um discurso que funciona e impressiona a sociedade. E é o que o governador eleito Ronaldo Caiado está fazendo: demorou, mas finalmente, como todo governante prestes a assumir o poder, anunciou que vai atacar na área do funcionalismo. Neste sábado, através da coluna Giro, em O Popular, avisou que fará uma auditoria na folha de pessoal e repetiu o discurso já visto antes na boca de todos os seus antecessores, que nunca resultou em nada de positivo para qualquer administração do passado: vai ver o que está passando da conta quanto aos servidores estaduais e cortar. No final das contas, não sairá daí mais do que zero vírgula qualquer coisa por cento de economia, número insignificante diante do gigantismo do Estado.

 

Como disse o senador eleito Vanderlan Cardoso, que está se revelando um político perspicaz e profundo conhecedor da máquina pública estadual, “o problema de Goiás não são os servidores públicos, mas sim as empresas VIP que não pagam ICMS, sob a alegação de que geram emprego e que isso é suficiente para justificar seus privilégios”. Esse deveria ser o foco da auditoria de Caiado, não a barnabezada estadual. Mas é um caminho que o novo governador já abriu mão de percorrer.