Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 dez

Futuro de Marconi, com a Polícia Federal nos seus calcanhares, parece indicar que ele acabou para a política, sem falar nos desafios pessoais praticamente insuperáveis que ainda tem pela frente

O drama do ex-governador Marconi Perillo é um dos mais agudos e cruéis já vividos por qualquer político brasileiro, sem falar que, em Goiás, é absolutamente inédito e diferenciado.

 

Depois de ser cultivado durante anos a fio como um verdadeiro rei, Marconi escorregou da noite para o dia para a sarjeta da política, perdeu de forma humilhante uma eleição, foi preso e continua sendo ostensivamente acusado pelo Ministério Público Federal de liderar uma organização criminosa dentro do governo de Goiás – o que o faz candidato certo a novas e desagradáveis surpresas policiais nas próximas semanas.

 

Ele decaiu de príncipe a sacomano em um período curto de tempo, desvestido do respeitável envoltório de liderança mais importante do Estado nos últimos tempos para a condição de degredado político, de presença tóxica e além de tudo repudiado por mais da metade dos goianos, conforme os índices das últimas pesquisas publicadas às vésperas da eleição e confirmadas quando, detido pela Operação Cash Delivery, foram registradas imagens de populares dançando de satisfação na calçada da Polícia Federal em Goiânia. Para o seu lugar no Senado, o eleitorado escolheu o seu maior inimigo, Jorge Kajuru, que vai se sentar na poltrona a que ele imaginava ter o direito.

 

E o seu futuro? É o pior possível. Não faltam exemplos de políticos que conheceram o inferno, mas voltaram pelo menos ao purgatório. Só que não parece ser o caso do ex-governador. Ele ainda tem pela frente o calvário das investigações policiais sobre os seus atos, que, agora mesmo, na Operação Confraria, em que seu braço direito Jayme Rincón foi mais uma vez preso, o configuram como chefe de quadrilha, conforme opinião expressa do Ministério Público Federal.

 

Muitos voltaram. Esse não voltará nunca mais.