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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 dez

Citado na Operação Confraria como “chefe maior de uma organização criminosa”, Marconi corre o risco de perder o contrato de consultoria que fechou com a Companhia Siderúrgica Nacional

A Companhia Siderúrgica Nacional, maior empresa do país no setor de aços e laminados, está listada na Bolsa de Valores e é obrigada a cumprir compromissos rigorosos em matéria de governança corporativa – situação que pode acabar se refletindo no contrato de consultoria que assinou com uma firma pertencente ao ex-governador Marconi Perillo e sua esposa Valéria.

 

Não é difícil prever que as regras que a CSN deve obedecer na sua gestão vão acabar pesando e levar à dispensa da consultoria de Marconi, de resto um negócio cercado de estranheza, já que o tucano de Goiás não tem nenhuma expertise em assuntos siderúrgicos e, a cada desdobramento das ações policiais contra a sua pessoa, vai se tornando uma figura tóxica para o seu entorno. Como e por quê uma das maiores empresas brasileiras se exporia mantendo um acordo ainda por cima nebuloso com alguém que é investigado pela Polícia Federal e pode ser preso a qualquer momento?

 

Sabe-se que a consultoria foi fruto de um ajeitamento de um amigão de Marconi, o governador eleito de São Paulo João Dória, com outro amigão seu, o dono da maior parte das ações da companhia, Benjamin Steinbruch, ou seja, nada decorreu de uma suposta capacidade de prestação de serviços especializados por parte do fornecedor contratado. A intenção, está claro, foi só providenciar uma justificativa para as despesas cotidianas do ex-governador. Mas não a ponto de sacrificar a imagem da Companhia Siderúrgica Nacional.