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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 dez

Eleição de Álvaro Guimarães para a presidência da Assembleia, antes aparentemente tranquila, agora corre risco diante de acertos polêmicos que manteriam a influência de Marconi na estrutura da Casa

Apresentado inicialmente como opção preferencial do governador eleito Ronaldo Caiado para o cargo de próximo presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Álvaro Guimarães tinha uma caminhada tranquila até o posto, dependendo apenas de alguns acordos protocolares para a montagem da Mesa Diretora e divisão de algumas vantagens administrativas que o Poder oferece – contemplando as bancadas partidárias como representação no plenário.

 

Mas isso mudou. Entre a maioria dos 41 parlamentares estaduais, a conversa hoje é que, na Legislatura que se inicia a partir de 1º de fevereiro, a Assembléia tem que ser “zerada”, isto é, deve se livrar da influência do ex-governador Marconi Perillo e de ex-presidentes e ex-deputados ligados a ele, que manteriam espaços importantes dentro da Casa que os últimos presidentes – Hélio de Sousa e Zé Vitti – permitiram que seguissem intactos. Em outras palavras, as benesses do Parlamento goiano não podem ser instrumentalizadas para socorrer o grupo de Marconi com diretorias e cargos comissionados, pior ainda em detrimento dos próprios deputados. Além de politicamente inconveniente tendo em vista a nova realidade política do Estado, essa situação iria na contramão da limpeza que será feita por Caiado no Poder Executivo, de onde o Tempo Novo será varrido para a lata de lixo da História.

 

Álvaro Guimarães precipitou-se ao costurar arranjos, por exemplo, que levariam os deputados derrotados Francisco de Oliveira e Eliane Pinheiro, marconistas ferrenhos, a diretorias importantes da Assembleia, a pretexto de atender a bancada do PSDB – no caso de Chiquinho, foi cogitada para ele até a crucialmente importante diretoria-geral, que controla as nomeações dos milhares de cargos comissionados não só nos gabinetes, mas na famosa Secretaria Geral, em que entram tudo e todos, dependendo da liberalidade do presidente.

 

Resultado: está em andamento uma reação quase que orgânica contra o encaminhamento até então aparentemente da candidatura de Álvaro Guimarães à presidência. Não é só especulação. É fato real.