Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 dez

Jorcelino Braga na Secretaria da Fazenda de Caiado tem muito significado sobre o que será o novo governo, que até hoje, mais de 2 meses após a eleição, não deu pistas sobre os rumos que tomará

A confirmação do nome do empresário e marqueteiro Jorcelino Braga para a Secretaria da Fazenda do governo de Ronaldo Caiado, assim que vier, será determinante para mostrar os rumos que a nova gestão tomará – por enquanto não há a menor pista sobre o que Caiado fará, a não ser as promessas genéricas de mudança que fez na sua campanha.

 

Com Braga, um cenário começará a se delinear. Ele mesmo se define como um especialista em fluxo de caixa, o que significa que, na Sefaz, tenderá a repetir o que fez no governo Alcides Rodrigues, quando ocupou o mesmo cargo: o governo trabalhará com responsabilidade fiscal rigorosa, não contratará empréstimos e muito menos se arriscará com obras ou projetos para os quais não existam recursos assegurados. Isso significa um encolhimento radical dos investimentos públicos em Goiás, estratégia que levou o governo Alcides a ser concluído sem qualquer legado ou obra de importância para o Estado.

 

Em compensação, Alcides entregou a gestão ao seu sucessor – Marconi Perillo – em situação de ajuste fiscal acima do razoável e com a arrecadação fortalecida, valendo um exemplo significativo: 2010, último ano daquele governo, foi também quando grandes empresas como a Mitsubishi pagaram ICMS pela última vez, já que a partir do ano seguinte, já com Marconi, passaram a ser beneficiadas por benefícios tributários descabelados (em 2010 a Mitsubishi recolheu R$ 120 milhões em impostos estaduais, depois disso passou a ser praticamente desonerada).

 

Braga na Sefaz de Caiado, portanto, significa que o novo governador terá optado pelo caminho das regras financeiras duras e inflexíveis, sem nenhum tipo de aventura, com centralização total do controle administrativo da máquina administrativa e também com acúmulo de poderes nas suas mãos. É evidente que, se ele aceitar a missão, não o fará para ser menos do que foi no mandato de Alcides. E isso dirá muito sobre o que Caiado será.