Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 dez

O que intriga, no secretariado anunciado por Caiado, é como os que virão de fora vão pagar mudança, aluguel, condomínio, IPTU, alimentação e mais despesas um salário líquido de apenas R$ 14,9 mil

Parece certo que mais da metade do secretariado do governador eleito Ronaldo Caiado, pelo menos no 1º escalão, virá de fora do Estado: dos nove nomes anunciados nesta semana, cinco são de outras regiões do país – Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, para a Fazenda; Rodney Rocha Miranda, Segurança; Ismael Alexandrino Júnior, Saúde; Adriano Rocha Lima, Desenvolvimento e Inovação; e Ricardo Soavinski, Saneago.

 

Todos eles, com exceção do presidente da Saneago, assumirão cargos remunerados com R$ 20 mil reais brutos por mês, que, aplicados os devidos descontos, inclusive Imposto de Renda, renderão um salário líquido de apenas – em relação á importância da função – R$ 14,9 mil mensais. No caso do presidente da Saneago, as coisas são um pouco diferentes: como se trata de uma estatal, livre do controle centralizado da administração estadual, ele recebe R$ 54 mil mensais brutos, que, com os descontos, caem para R$ 31 mil por mês.

 

Os secretários de Estado que virão de fora, portanto, enfrentarão um desafio financeiro pessoal, ou seja, terão que se virar com pouco dinheiro para cobrir as suas despesas de mudança, instalação e manutenção das suas residências em Goiás. Barato, isso não é. Como explicar que tenham aceitado uma proposta de trabalho tão ruim? O secretário de Segurança é delegado aposentado da Polícia Federal e terá melhores condições que os seus colegas, mas o salário a que faz jus é um direito que ele adquiriu ao longo da sua carreira profissional, não uma vantagem ou um sacrifício que tenha que oferecer a seu empregador a partir de 1º de janeiro. Quanto aos demais, mesmo no caso do privilegiado presidente da Saneago, aparentemente não se sabe de nenhum trunfo que tenham para a vida nova que aceitaram juntamente com o convite para o secretariado de Caiado.

 

Nos governos de Marconi Perillo, secretários que vinham de fora recebiam ajuda extraordinária, seja através de mecanismos como a nomeação para conselhos de estatais, que dá direito a jetons, seja mediante ajustes não republicanos. Além disso, viajavam de volta para os seus Estados de origens, para visitar a família ou conferir negócios particulares, por conta do governo do Estado, inclusive com diárias. De resto, carro, combustível, telefonia e outras mordomias por conta dos cofres públicos acabam ajudando a minimizar os custos da transferência para Goiás.

 

E no caso de Caiado, como isso será resolvido?