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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

14 dez

Cristiane Schmidt, nova secretária da Fazenda, repete as expectativas que Ana Carla também tinha ao assumir o cargo para ser “ministra” estadual da economia e formular políticas públicas para o Estado

A economista Ana Carla Abrão Costa veio para a Secretaria da Fazenda, no início do quarto governo de Marconi Perillo, com entrevistas bombásticas em que falava como uma espécie de “ministra” estadual – pronta para agir como uma formuladora de políticas públicas, quando, em Goiás, a pasta funciona na verdade como uma controladora de fluxo de caixa, sem nenhum poder além dessa rotina.

 

Ela deu com os burros d’água. Queria deixar um “legado” e tentou inclusive implantar uma Lei de Responsabilidade Fiscal, cujo texto chegou a remeter para a Assembleia Legislativa, onde foi enterrado. Arriscou-se também a mexer com o vespeiro dos incentivos fiscais, cortou regalias de empresas beneficiadas que não cumpriam com as contrapartidas e quebrou a cara. Depois de dois anos de sofrimento, foi embora levando a sua passagem por Goiás como uma mancha a esconder no seu currículo.

 

De certa forma, a economista carioca Cristiane Schmidt (o nome é imperialmente maior, mas é assim que ela é conhecida), anunciada pelo governador eleito Ronaldo Caiado para a sua Sefaz, reproduz as expectativas iniciais de Ana Carla. Tem talentos e conhecimentos que, para Goiás, passam da medida, pelo menos em relação ao cargo que ganhou. E uma primeira declaração que deu, após se encontrar com Caiado em São Paulo, mostra que também está iludida quanto as possibilidades que vai ter para resolver o desafio que enfrentará aqui no Estado.

 

Ela falou em “gestão comprometida com o social”, capaz de “oferecer melhor serviços públicos ao cidadão”. A intenção é boa, mas isso não tem nada a ver com o que um secretário da Fazenda faz em Goiás. O erro está imaginar que o titular da Sefaz pode ir além de arrecadar e repassar recursos para os demais setores do governo. Não vai. É muito diferente, por exemplo, de um secretário de Segurança, que, sim, introduz estratégias e mecanismos de ação que vão do micro ao macro diante das competências da sua área de trabalho.

 

O pesado perfil acadêmico de Cristiane Schmidt a credencia, com tranquilidade, para altos cargos no governo federal e até Ministérios. Mas está muito acima do que é necessário para ser a titular da Sefaz em Goiás. É um desperdício. E um problema…