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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 dez

União de veteranos e novatos igualmente insatisfeitos com a tendência de tudo continuar como dantes na Assembleia, pode levar a reviravolta na eleição de Álvaro Guimarães para a presidência

Tomou proporções incontroláveis o movimento que eclodiu entre os 41 deputados estaduais que vão compor a nova Legislatura da Assembleia, a tomar posse em 1º de fevereiro do ano que vem.

 

O que começou como uma demonstração de insatisfação do deputado Major Araújo, acompanhado inicialmente por quase ninguém, cresceu a ponto de hoje ameaçar a antes tranquila eleição de Álvaro Guimarães para a presidência da Casa, inclusive atropelando a sua declarada condição de candidato in pectore do governador eleito Ronaldo Caiado.

 

Dois fatores estimulam a rebelião. Um, a proposta de “zerar” a Assembleia, isto é, afastar toda a influência do ex-governador Marconi Perillo e dos últimos quatro ou cinco ex-presidentes, que mantêm espaços significativos na estrutura de pessoal do Poder – formada por um número desconhecido de funcionários comissionados ou de livre nomeação, que podem ultrapassar mais de três mil cargos, ninguém sabe ao certo. Outro, o exemplo da Câmara Municipal, onde um grupo de vereadores, embora de partidos e orientações diferentes, se uniu e tomou o seu controle, derrotando o candidato apoiado pelo prefeito Iris Rezende.

 

O mais grave é que esse motim parlamentar surgiu não na oposição, mas dentro da base de apoio de Caiado e já congrega 11 deputados, entre veteranos e novatos, unidos pelo igual desejo de “zerar” a Assembleia e repartir as suas benesses entre os seus próprios integrantes. Há, portanto um perigo real para a eleição de Álvaro Guimarães, já que os governistas insatisfeitos podem se aliar com a oposição, que tem 10 votos, fazendo maioria – 21 votos – para eleger o presidente.