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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 dez

Para não desaparecer em Goiás, PMDB só tem a opção de consolidar a aliança com Caiado, fazer parte da sua base de apoio na Assembleia, integrar o governo e não se aventurar com Daniel Vilela

O deputado federal em fim de mandato Daniel Vilela é um político de valor, mas ainda longe de se constituir em uma liderança como, por exemplo, o seu pai, Maguito, ou como chegou a ser um dia Marconi Perillo ou ainda como Iris Rezende, que já foi muito, hoje é menos, mas continua sendo algo de importante.

 

Sob o comando de Daniel Vilela, o MDB em Goiás diminuiu de tamanho – tinha 4 deputados na Assembleia, caiu para 3, não elegeu nenhum deputado federal e em termos de eleitorado, despencou de uma média história superior a 30%, mesmo em seus momentos mais amargos, para apenas 17% nas urnas de 2018, com a candidatura do próprio a governador – e agora se vê diante de um desafio bem maior, que é sobreviver em tempos de mudança radical no cenário político estadual.

 

Para disputar o governo, Daniel Vilela contou com um arranjo oportunístico, que trouxe momentaneamente para a sua base de apoio o PP, o PRB e o PHS, aliança que se desfez no ar logo após a apuração, depois de servir apenas para eleger Vanderlan Cardoso senador e viabilizar a reeleição de João Campos como um dos mais votados para a Câmara dos Deputados e postulante à sua presidência. Mais da metade dos emedebistas preferiu fazer campanha para Ronaldo Caiado, com uma justificativa que foi muito bem formulada pelo prefeito de Catalão, Adib Elias, ícone do partido: “Estamos cansados de perder”.

 

Reduzido a tão pouco, do mesmo tamanho que partidos como o PROS e similares, o que resta ao MDB goiano é fugir do isolamento e da ambiguidade proposta por Daniel Vilela, que é ser oposição ao governo Caiado e ao mesmo tempo apoiar também esse governo. Isso não tem sentido por contrariar a essência de qualquer partido político, que é… tomar partido, ter um lado, propor para a sociedade uma visão do mundo e uma linha de ação bem definida. O que o MDB sempre fez, desde os tempos de PMDB, ao contestar e se firmar como oposição ao Tempo Novo, exatamente a bandeira que levou à eleição de Caiado. É uma coisa só, que Daniel Vilela quer dividir em duas.

 

Daniel Vilela está errado ao se propor como oposição a um governo, o novo, que será exatamente o que o seu partido  queria e desenvolverá as premissas que o MDB sempre defendeu em Goiás. Pode apostar, leitor: ele vai ficar falando sozinho.