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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 dez

Mudança e intenção de fazer um bom governo foram suficientes para Caiado ganhar a eleição, mas são metas genéricas demais para um governador que vai assumir em pouco mais de 10 dias

Mais de 60 dias após ganhar a eleição, Ronaldo Caiado continua repetindo os dois motes que o levaram à vitória – a proposta genérica de mudança e a boa intenção de fazer um governo voltado para todos os goianos.

 

Para a campanha, foram argumentos suficientes e condizentes com a temporada eleitoral, quando o que vale são ideias fortes e simbólicas para ganhar a mente do eleitor e vencer nas urnas. Porém, para alguém que está a pouco mais de 10 dias de assumir o governo do Estado, parece pouco demais.

 

Está cada vez mais difícil entender o comportamento de Caiado. Para o seu secretariado, trouxe uma legião de nomes de fora do Estado, nenhum tão excepcional assim. Fora a família, não consultou ninguém sobre a sua equipe ou os seus primeiros passos. Sobre o que pretende a partir de 1º de janeiro, nunca detalhou nada, a não ser a insistência – justificável até – com que se refere ao buraco fiscal em que Goiás está metido e que exige, sim, uma abordagem dura e prioritária. Qual, ninguém sabe? No máximo, imagina-se que está depositando todas as fichas em um suposto apoio extraordinário do governo federal, que só virá caso aconteça um milagre. Caiado age com ineditismo surpreendente e até passa a ideia de que é inseguro e vacilante, continuando a prometer que saberá o que fazer, embora sem esclarecer como o fará e o que fará.

 

Em matéria de administração pública, não há muito o que fazer fora dos cânones tradicionais: não gastar, combater a corrupção e arrecadar. Não há espaço para invencionices. A data de 1º de janeiro se aproxima e aí será a hora de Caiado assumir o que ele tem evitado: a responsabilidade pelos seus atos de governo, certos ou errados.