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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 dez

Caiado terá prazo curto para mostrar porque representa a mudança e mais: a questão fiscal, que ele prioriza absolutamente, mesmo que bem resolvida, não representa a resposta que a sociedade espera dele

O governador eleito Ronaldo Caiado saiu completamente do padrão dos demais eleitos no último pleito e, da abertura das urnas até aqui, pouco adiantou sobre o que pretende fazer na sua gestão, a não ser falar insistentemente em resolver o drama fiscal do Estado – com a ajuda de um secretariado que está longe de ser excepcional e pouco impressiona em termos de qualidade técnica e política.

 

Caiado venceu com propostas genéricas e sem qualquer detalhamento. Do dia da sua vitória até hoje, não acrescentou quase nada ao seu discurso de campanha. Só se aprofundou na questão fiscal, que prioriza acima de qualquer outra coisa, mas falhou, nas duas ocasiões em que foi chamado a intervir, ao praticamente manter a barafunda dos incentivos fiscais no mesmo status quo e ao aprovar um programa de refinanciamento de dívidas tributárias que aceita papeis podres para a quitação de impostos em atraso.

 

Sinalização ruim, portanto. No discurso, uma linha. Na prática, outra. Mas, para o grosso do eleitorado que votou em Caiado, o problema fiscal, mesmo que venha a ser bem resolvido, não é o que interessa. Desenvolvimento, emprego, fim da corrupção, menos burocracia, mais oportunidades, desigualdades sociais menores – são temas assim que interessam à sociedade. Sobre eles, o novo governador nunca disse uma palavra depois que foi eleito.

 

Antigamente, um governante eleito dispunha de um ou até dois anos de crédito. Mas em um mundo diferente, que andava devagar, sem redes sociais e sem o que a internet e os smartphones significam em termos de transferência de informações e de conhecimento. Portanto, Caiado não terá muito tempo. Seu prazo para afirmação será curto, antes que sobrevenha a decepção. O mantra que ele repetiu a partir da sua vitória, o de que não tinha pressa para anunciar as suas definições, não vai valer um centavo furado.