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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 dez

Marconi não consegue se afastar da política de Goiás, na verdade não sabe o que fazer depois da derrota histórica que sofreu nas urnas, piorada pela prisão, e passa os dias pendurado no celular

O ex-governador Marconi Perillo vive dias que nunca imaginou, depois de 20 anos de poder contínuo, rodeado por uma corte de bajuladores e com todas as despesas pagas, além de um exército de empregados, prontos para atender todas as suas necessidades.

 

Isso acabou. Marconi agora é um cidadão comum. Ou talvez um pouco abaixo, já que não pode se expor em público, pelo menos em Goiás, sem correr o risco de ser hostilizado. Para se resguardar, quando vem a Goiânia – está morando em São Paulo – ele pega um vôo comercial para Brasília e de lá para cá se desloca em carro. Desde que perdeu a eleição e foi preso, fez isso duas ou três vezes. No mais, dedica-se oficialmente ao “trabalho” de consultoria que está prestando à Companhia Sideúrgica Nacional, ajeitado pelo seu amigo João Dória – que faturou milhões do governo de Goiás com anúncios nas suas revistas e em cotas de patrocínio das reuniões do LIDE, esquema de faturamento que o governador eleito de São Paulo mantinha ativos antes de se aventurar na política.

 

Diariamente, o ex-governador liga para prefeitos, autoridades e personalidades goianas que fazem aniversário. Quando estava no poder, tinha esse mesmo hábito, mas cumprimentava com rapidez e objetividade, mal dando tempo a qualquer extensão da conversa. Agora, não: Marconi perdeu a pressa. Quem define o tempo da conversa é o interlocutor.

 

O tucano-mor de Goiás, que saiu da eleição como um caco, dá sinais claros de que não sabe o que fazer da vida.