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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 dez

Deputados que defendem “zerar” a Assembleia, eliminar a influência de Marconi e limpar o Poder, podem não ganhar a presidência, mas convenceram a maioria de que esse é o caminho certo

O movimento deflagrado por um grupo de deputados que defende “zerar” a Assembleia, eliminar a influência do ex-governador Marconi Perillo e seus aliados, limpando o Poder das irregularidades que ali se multiplicam há anos e anos, pode não ganhar a presidência, mas convenceu a maioria dos parlamentares estaduais de que esse é o caminho certo.

 

Tudo começou com um erro estratégico cometido por Álvaro Guimarães, candidato da preferência do governador eleito Ronaldo Caiado para ser o próximo presidente do Legislativo. Álvaro saiu negociando a torto e a direito, deixando vazar que estava se comprometendo – por exemplo – com a bancada do PSDB para manter a influência que Marconi sempre teve nas nomeações de diretores de casa (descobriu-se que tucanos derrotados, como Francisco de Oliveira e Eliane Pinheiro, seriam nomeados para cargos importantes de controle administrativo).

 

Além disso, espaços continuariam reservados para ex-presidentes, todos aliados de Marconi, no preenchimento de cargos gratificados. O atual presidente, Zé Vitti, também manteria, com Álvaro, diretorias e funcionários comissionados. Foi o que bastou para que deputados como Major Araújo, Amauri Ribeiro, Delegado Humberto Teófilo e Paulo do Trabalho botassem a boca no trombone, rebelando-se contra a imposição de Álvaro Guimarães e lançando a proposta de “zerar” o Legislativo, com a distribuição dos seus espaços entre os seus próprios integrantes e não a forças políticas externas. E também suprimindo os seus focos de corrupção.

 

O grupo lançou até um candidato alternativo, o Dr. Antônio, que rapidamente angariou as simpatias iniciais de mais de duas dezenas de deputados, viabilizando-se potencialmente para superar Álvaro Guimarães e conquistar a presidência. A ideia de uma “limpeza geral” no Poder, principalmente a partir dos escândalos de fim de mandato de Zé Vitti, como funcionários de limpeza ganhando mais de R$ 9 mil reais e distribuição à larga de diárias e viagens internacionais inexplicáveis, contaminou a maioria dos 41 parlamentares da Casa.

 

Se, no final das contas, Álvaro Guimarães ou qualquer outro deputado que não o indicado pelo grupo rebelde vier a vencer a disputa pela presidência, uma certeza haverá: a Assembleia terá efetivamente chances de ser “zerada” e se adequar aos novos ventos que soprarão com a chegada de Caiado ao governo, coroando um processo de ruptura com a velha política que era a rotina em Goiás.