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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 dez

31 de dezembro de 2018: depois de 20 anos e deixando legado polêmico, Tempo Novo chega ao fim com as suas lideranças destroçadas e o sistema político que criou transformado em pó

Tudo passa, nada fica para sempre.

 

Lugar comum? Chavão? Talvez. Mas na manhã desta segunda-feira fria e nublada, é provavelmente nisso que estão pensando as centenas ou milhares de beneficiários do chamado Tempo Novo, o sistema político criado por Marconi Perillo a partir da sua revolucionária vitória eleitoral em 1998 e que as urnas deste ano reduziram a pó, destroçando impiedosamente as suas lideranças – inclusive o próprio Marconi, hoje exilado em São Paulo e sem a menor condição de aparecer em público em Goiás sem correr riscos de constrangimento pessoal.

 

Fala-se em “legado” desse Tempo Novo, a exemplo do governador findante Zé Eliton, que deu entrevista neste último fim de semana sugerindo ao que sobrou do PSDB se empenhar mais na defesa do que foi feito no Estado nas últimas duas décadas. Só que não existe engano maior, mas apenas a persistência de um erro. Todo e qualquer governo acerta muito, como também equivoca-se muito. Faz parte. Não há “legado” capaz de ser reconhecido unanimemente como excepcional ou superior à média de qualquer administração, geralmente medíocres. Exigir o agradecimento da sociedade em razão de programas como Cheque Moradia, Renda Cidadã, Vapt Vupt ou Bolsa Universitária, de resto custeados com dinheiro público, levou os tucanos ao aniquilamento pelo voto popular na última eleição. Para quê insistir nesse caminho?

 

O mais sólido núcleo de poder jamais constituído em Goiás esfumaçou-se no ar, não sabe o que fazer com os cacos que restaram e não tem nenhum futuro. Passou.