Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 jan

Redução de despesas, o 1º decreto de Caiado, é filme visto no início de todo governo, estabelece cortes genéricos e sem mensuração, e só serve para dar satisfação à sociedade… não para economizar

O 1º decreto assinado pelo governador Ronaldo Caiado, repetindo o que acontece no início de todo e qualquer governo, desde épocas imemoriais, tenta reduzir os gastos do Estado e foi apresentado pela comunicação da nova gestão estadual como uma ação efetiva de “corte de despesas”.

 

Na verdade, pode ter tido essa intenção, mas passa longe de alcançar o objetivo. O decreto traz uma lista de proibições para gastos em áreas óbvias como diárias, horas extras, patrocínios, telefonia, passagens aéreas, alugueis, compras de carros e coisas assemelhadas, só tendo faltado a suspensão do indispensável cafezinho que move as repartições públicas.

 

Não há governador, em todos os tempos, que não tenha começado seu mandato com esse tipo de decisão – inócua, pois não menciona números e menos ainda fixa metas concretas, que possam ser mensuradas um dia, mas com o condão de agradar ao público ao mostrar uma espécie de austeridade de fachada. O nó da questão está em que, se não se sabe o que quanto se está gastando, é óbvio que não se saberá também o quanto e como pode ser economizado. A estrutura de despesas herdada por Caiado, provavelmente marcada pelo desperdício e pela dissipação, permanecerá intocada e daqui a alguns meses ninguém será capaz de garantir se aumentou ou foi  reduzida.

 

Governante que entra fica ansioso para mostrar serviço. Esse é o problema de Caiado, que não tem – pelo menos nunca mostrou nada nem parecido – um plano de abordagem para a sua administração, a não ser encarar a crise fiscal do Estado, que ele pretende resolver não por esforço próprio, mas com a intervenção do governo federal.