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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 jan

Decreto de corte de despesas assinado por Caiado é reedição convencional de dezenas de outros editados no passado e frustra as expectativas de um início de governo diferente e atualizado

Os goianos que esperavam um início de governo diferente de tudo que houve no passado e, mais ainda, atualizado com a inovação administrativa correspondente aos tempos modernos (a mudança, enfim, prometida na campanha eleitoral), acabaram frustrados com o 1º decreto assinado pelo governador Ronaldo Caiado.

 

Repetindo uma prática antiga que nunca deu resultados, Caiado determinou um suposto corte de despesas sem métrica e criou mais um órgão de controle para acompanhar e avaliar os gastos do governo – ignorando inclusive que esse órgão já existe, sob o nome de JUPOF ou Junta de Programação Financeira, cujo decreto de criação, na época dos governos de Marconi Perillo, é muito mais detalhado e eficiente que as generalidades atribuídas ao comitê gestor agora implantado pelo novo governador através do seu ato inicial.

 

A redação do decreto de Caiado passa a nítida impressão de que é obra de uma ou provavelmente várias mãos sem nenhuma experiência com gestão financeira e orçamentária do Estado. É mais uma declaração vazia de intenções. Se, mesmo assim, vier a ser transformado de alguma maneira em realidade, não trará nenhum ganho em matéria de contenção de recursos além da insignificância, como no caso da determinação de reduzir em 20% o número de funcionários comissionados e os investimentos em publicidade. Se perguntados sobre quais resultados poderão ser alcançados com esse corte de despesas, nem Caiado nem os sábios que escreveram o decreto serão capazes de dar qualquer resposta ou citar alguma cifra.

 

Que Goiás vive uma crise fiscal, é fato, porém não é com esse tipo de medida – cujo equivalente simbólico é a famosa economia de palitos – que ela será resolvida.