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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 jan

Passos iniciais de Caiado não trazem nada de novo para a agenda estadual, são tradicionais, tímidos e revelam dependência excessiva a decisões do governo federal que podem não acontecer

Os passos inaugurais do governador Ronaldo Caiado – que entra no seu 4º dia de mandato – parecem exageradamente tradicionais e muito tímidos para um candidato que venceu a eleição com grande apoio dos goianos e representa um processo radical de ruptura política no controle do poder estadual.

 

Há um outro fator de importância que atravanca o início da nova gestão: a excessiva dependência a decisões do governo federal, na área fiscal, em que se aguarda a visita de uma missão de técnicos do Tesouro Nacional (anteriormente marcada para o dia 14 deste mês, mas já adiada para o dia 21, o que evidencia que o assunto não é prioridade para o ministro Paulo Guedes, chefe da área econômica) que teoricamente vai avaliar se o Estado tem condições para ser incluído no Regime de Recuperação Fiscal e receber privilégios como a suspensão por 3 anos do pagamento das parcelas da sua dívida.

 

Enquanto se aguarda essa decisão, Caiado fica automaticamente sem liberdade de movimentos e não sabe dar respostas sequer a problemas triviais, como o pagamento da folha de pessoal de dezembro – transformado em imbroglio difícil de entender, mas aparentemente sendo usado para reforçar a gravidade da situação financeira do Estado e assim ajudar a convencer as autoridades federais a ajudar.

 

Nas condições em que o novo governador venceu a eleição, com votação recorde e fatura liquidada no 1º turno, é claro que ele tem gordura acumulada até para cometer alguns erros (um deles a nomeação de parentes, que já chega a 3 nomes). Mas isso não dura muito. Lua mel com o poder é passageira e se dissipa em semanas. Jogar na defensiva, reciclar ações de governos anteriores e abrir mão de verdadeiramente influenciar a agenda do Estado, cujo principal protagonista é sempre o governador, é um erro estratégico que pode abrir brechas na credibilidade – não moral, mas em termos de competência – de Caiado.