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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 jan

Caiado foi eleito para mudar o governo que o Tempo Novo levou ao descalabro, porém começou criando mais desordem ao desnecessariamente se recusar a pagar o salário de dezembro ao funcionalismo

É impressionante a fé que o governador Ronaldo Caiado tem na sua autoridade moral e nas suas boas intenções para resolver a imensa gama de problemas que afligem o governo de Goiás.

 

Mas isso – autoridade moral e boas intenções – não é suficiente para solucionar abacaxis concretos. É preciso competência e articulação para superar obstáculos. E inteligência e criatividade, qualidades, mesmo que não em sua plenitude, são benéficas aos gestores do Estado, de qualquer Estado.

 

O exemplo maior é a polêmica, desnecessária, que se instalou em torno da folha de pagamento de dezembro. Como todas as outras, nos últimos anos, ela deveria ser paga em parte no último dia do mês (salários até R$ 3 mil) e o restante até o dia 10, claro que com a arrecadação que entra até esse dia. Em tese, portanto, não haveria motivo para controvérsias. Mas o governo passado, dizem que para fugir da Lei de Responsabilidade Fiscal, não empenhou a totalidade da folha de dezembro e Caiado se agarrou a esse detalhe para firmar uma posição esdrúxula, a de que pagaria janeiro normalmente (não disse se parcelando em duas etapas, como vem sendo feito, ou de qualquer outro jeito), mas não dezembro.

 

O funcionalismo público serve ao Estado, não ao governo. Esse é só um meio. Portanto, dentro dessa premissa, não cabe alegar que haveria uma folha que é “minha” e outra que “não é minha”. É tudo uma coisa só. Recusar o pagamento dos salários de dezembro com base em filigranas orçamentárias e prometer pagar em dia o de janeiro carece de sentido. E dá a Caiado uma péssima abertura de temporada.