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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 jan

Vem aí a privatização da Saneago (a estatal de valor que restou para o governo de Goiás) ou venda de parte das suas ações, que Caiado combateu duramente no passado

Em entrevista a O Popular, na qual não citou o nome do governador Ronaldo Caiado, a economista carioca e nova secretária da Fazenda Cristiane Schmidt disse que, se dependesse só dela, a Saneago seria privatizada imediatamente.

 

É uma declaração importante, porque a nova titular da Sefaz (a ser transformada em Secretaria da Economia) – pelo peso dos seus títulos acadêmicos e mais ainda porque foi indicada a Caiado pelo ministro da Economia Paulo Guedes – tende a ter enorme influência nas decisões do governo do Estado daqui para a frente.

 

Depois que a Celg foi privatizada, o que restou de valor para o governo de Goiás é a Saneago. A empresa está em condições bem melhores que a companhia elétrica quando foi vendida: a Celg, na verdade, não passava de um caco depois de dilapidada tanto pelas administrações do antigo PMDB quanto do Tempo Novo. Já a Saneago, sem maiores problemas, vale uma fortuna, tanto para ser toda oferecida aos interessados quanto para ser fatiada, com parte das suas ações negociadas e parte mantida sob controle do Estado.

 

Um problema é que Caiado, no passado, foi contra a privatização da Celg e também se opôs à venda de ações da Saneago, no caso da Celg tentando sem sucesso ações impeditivas no Senado e no da Saneago entrando com representações no Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria Geral da República.

 

Mas, no poder, tudo muda. Além da secretária Cristiane Schmidt, o novo presidente da estatal, também importado por Caiado, o oceanógrafo Ricardo Sovavinski, deu uma entrevista meio marota a O Popular (citou Caiado uma vez), em que não disse que sim nem disse que não, mas achou um jeito de admitir, em vez da privatização integral, a alienação de um percentual de ações que não comprometa o domínio do governo goiano sobre a companhia. Além disso, uma das contrapartidas do Estado caso seja admitido no Regime de Recuperação Fiscal, sonho do novo governo, é especificamente a privatização da sua estatal de saneamento.

 

Ou seja: vem aí uma mudança… de discurso. Vender a Saneago inteira ou parte dela é mão na roda para inundar o caixa estadual de dinheiro e viabilizar a administração, ainda que represente um nó nas posições históricas de Caiado.